Mark Zuckerberg está construindo em Kauai, no Havaí, um dos maiores projetos residenciais do mundo. Conhecido como Koʻolau Ranch, o complexo reúne mansões interligadas, um bunker subterrâneo de cerca de 500 m² com portas resistentes a explosões e uma infraestrutura autossuficiente de energia e água. O investimento estimado ultrapassa 90 milhões de euros e ocupa 500 hectares na ilha.
Além da grande proporção da obra, um outro elemento chama atenção: a criação de um cinturão verde e de áreas naturais planejadas ao redor da propriedade. Muita gente pensou que esse detalhe tinha relação exclusiva com a segurança do bilionário, mas a verdade é outra. O projeto se insere em um movimento crescente entre bilionários em construir espaços verdes altamente controlados, pensados para segurança, resiliência e desempenho cognitivo.
Propriedade bilionária de Zuckerberg une residência de luxo e estrutura preparada para crises
Localizada em uma ilha com pouco mais de 70 mil habitantes, a propriedade de Mark Zuckerberg reúne duas grandes residências conectadas por um túnel subterrâneo que leva a um bunker equipado com suprimentos e sistemas independentes. O complexo inclui produção própria de energia, abastecimento de água e áreas agrícolas, além de segurança reforçada e acesso restrito.
A escala do empreendimento chama atenção não apenas pelo custo, mas pelo conceito. Trata-se de uma residência desenhada para funcionar de forma isolada, com redundâncias estruturais e capacidade de operação autônoma. Isso significa que ela é uma casa preparada para catástrofes, como desastres naturais e crises globais. Esse tipo de construção está associado à chamada cultura “prepper” entre executivos de tecnologia, que investem em propriedades resilientes como forma de garantir segurança em situações de crise.
Koʻolau Ranch aposta na otimização ambiental para performance cognitiva máxima
Há um detalhe em Koʻolau Ranch que também merece destaque: o cinturão verde que envolve a propriedade. A área inclui extensas zonas de preservação, reflorestamento com espécies nativas e espaços agrícolas planejados para integrar produção, paisagem e isolamento natural. Parte do terreno foi destinada à recuperação ambiental, formando uma espécie de barreira ecológica ao redor das construções principais. Inicialmente, qualquer um pensa que o intuito de Zuckerberg é morar no meio da natureza. Porém, o que o bilionário quer na verdade é controlar a natureza ao redor.
A floresta em volta da residência cria um ambiente com menos ruído, menor interferência visual e maior previsibilidade sensorial. O espaço é organizado para oferecer luz natural abundante, ventilação constante, paisagem verde contínua e isolamento acústico proporcionado pela própria vegetação.
Essa estética também está sendo adotada por outros bilionários do ramo tecnológico. Elon Musk, por exemplo, vem reformulando ambientes ligados à SpaceX com maior integração a áreas verdes e iluminação natural. Jeff Bezos, por sua vez, criou as “esferas” da Amazon em Seattle: três domos de vidro com vegetação interna projetados para recriar um microclima natural dentro do ambiente corporativo. Em comum, esses projetos seguem uma lógica estratégica: a de moldar o espaço físico para reduzir estresse, aumentar o foco e facilitar decisões complexas.
Otimização ambiental para elevar performance cognitiva máxima: o que diz a ciência?
As esferas de vidro da Amazon permite que funcionários trabalhem imersos no verde de plantas e árvores. Créditos: ShutterStock
Pesquisas em psicologia ambiental e neuroarquitetura vêm demonstrando que o ambiente físico pode influenciar diretamente nas funções cognitivas como atenção sustentada, memória de trabalho e tomada de decisão. Uma pesquisa publicada na Frontiers in cellular neuroscience indicam que ambientes com iluminação natural e ventilação adequada contribuem para níveis mais baixos de cortisol, o hormônio ligado ao estresse, e melhor desempenho em tarefas que exigem concentração prolongada.
Um estudo publicado na Scientific Reports aponta que o contato com elementos naturais, mesmo em ambientes internos, por meio de jardins, materiais orgânicos ou simulações visuais da natureza, pode estimular a criatividade e aumentar a eficiência cognitiva após atividades intensas.
No caso de Zuckerberg, o isolamento físico, a autossuficiência e o cinturão verde não são apenas medidas de segurança, mas formas de reduzir variáveis externas e criar um ambiente previsível, estável e otimizado para concentração.
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