Vender minivans às famílias em 2026 já é quase uma espécie de ato de resistência diante da onda dos SUVs. Mas esses monovolumes ainda são necessários para satisfazer as grandes famílias com vários filhos, já que são raros justamente os SUVs que atendem a essas necessidades, pois a oferta de sete lugares costuma estar associada a porta-malas ridículos ou insuficientes.
É aí que entram os furgões: eles oferecem uma plataforma ideal, devido à sua forma “cúbica”, para o transporte de pessoas e bagagens. Na Opel, o Zafira, que antes era conhecido sobretudo em sua versão mais “civil”, agora é um primo do Peugeot Expert. E ele não se limita a sete lugares, pois oferece dois a mais, em diferentes formatos (L1, L2 ou L3).
Se em 2026 já é excepcional comercializar uma minivan para o grande público, o que dizer então de adicionar um grande motor a diesel sob o capô? É o que a Stellantis está fazendo ao relançar os motores a diesel em seus veículos familiares: os ludospaces e os grandes monovolumes, que já eram vendidos apenas em versão elétrica. Depois do “pequeno” Citroën Berlingo, agora é a vez dos Opel Zafira, Citroën SpaceTourer e Peugeot Traveller.
O Opel Zafira volta ao diesel
Vendido apenas na versão elétrica, assim como seus primos da Citroën e da Peugeot, o Opel Zafira (que passou a se chamar Life em 2019) passa agora a receber uma motorização a diesel, que deve atrair famílias que rodam bastante e não necessariamente têm vontade de migrar para o totalmente elétrico. Ainda mais em formatos tão grandes e pesados. Afinal, apesar de seus 75 kWh, o Zafira-E Life não faz milagres em termos de autonomia.
A versão a diesel é equipada com o grande motor 2.2 de 180 cv, que muitos imaginavam já ter desaparecido por causa das normas e da queda acentuada do diesel na França (menos de 3% de participação de mercado no último mês). Mas, para usos muito específicos como esses grandes monovolumes, o diesel ainda pode se justificar hoje. Esse motor oferece, além disso, um torque confortável de 400 Nm. O diesel é oferecido apenas nas versões Zafira (4,98 m) e Zafira XL (5,33 m).
O grande retorno do diesel nos monovolumes da Stellantis
Se a Opel resolveu anunciar a volta do diesel, a Citroën e a Peugeot foram mais discretas em relação ao SpaceTourer e ao Traveller. Ainda assim, eles também passaram a contar com esse motor 2.2 de 180 cv. Na Opel, a oferta se mostra particularmente competitiva, já que o Zafira a diesel parte de 46.170 euros. A diferença de preço é enorme em relação à versão elétrica, que começa perto de 60.000 euros. São 13.000 euros de diferença, uma oferta tentadora, mesmo que o elétrico seja claramente mais vantajoso no uso.
Resta, obviamente, a questão do imposto ecológico na França. Pois, com emissões que chegam a 186 g/km, o Zafira a diesel estaria teoricamente sujeito a um imposto de 64.356 euros. Mas esses veículos raramente são comprados por casais ou pessoas solteiras sem filhos. Vale lembrar que todo comprador de veículo novo tem direito a uma redução de 20 g/km por filho. Com 3 filhos, isso significa 60 gramas a menos, fazendo as emissões caírem para 126 g/km. Ou seja, 650 euros de imposto. Mas espere para ver o que vem a seguir.
O imposto adicional impossível de evitar
As reduções são apenas retroativas e funcionam com base no princípio do reembolso. Em outras palavras, será preciso pagar os 64.000 euros para depois receber o valor de volta. O texto dos serviços públicos é bastante claro nesse ponto: “A redução do malus de CO₂ e do malus de peso não é aplicada no momento do registro do veículo. Você deve pagar as taxas e depois solicitar o reembolso do valor da redução”.
Outra má notícia: o imposto por peso. Com um Zafira Life a diesel de 1.987 kg, você fica sujeito a um imposto por peso de 7.700 euros, que precisa ser pago antecipadamente. Novamente, se você tiver pelo menos 3 filhos menores, aplica-se uma redução de 200 kg por filho, anulando assim o imposto por peso. Só que, assim como no malus de CO₂, também será preciso adiantar o valor no momento do emplacamento e depois solicitar o reembolso ao fisco. No total, portanto, cerca de 72.000 euros em impostos adicionais a pagar no ato da compra, antes de iniciar os trâmites de reembolso.
Como pequeno motivo de consolação, a revenda de um veículo desse tipo, sujeito a um imposto adicional elevado, não deve gerar o chamado imposto retroativo. Pois, lembre-se, o PLF continha uma emenda que previa cobrar de alguns compradores de veículos já emplacados (usados) que haviam escapado do imposto na primeira matrícula. Felizmente, as reduções obtidas graças aos filhos não entram nessa conta. Em outras palavras, se o imposto foi reduzido “graças” aos filhos na primeira matrícula, a pessoa que comprar depois o veículo usado não terá de pagar o valor original completo do imposto. Ufa, pelo menos isso foi poupado. Mas essa situação fiscal absurda para o Zafira a diesel não deve ajudá-lo a ter um desempenho melhor que seu equivalente elétrico, que vendeu apenas cerca de 250 unidades no ano passado na França.
Este texto foi traduzido/adaptado do site L’Automobile Magazine.
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