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Após Google Chrome fazer de tudo para acabar com eles, os bloqueadores de anúncios permanecem firmes e fortes

A mudança de arquitetura trouxe uma experiência de bloqueio mais fluida e uma rigidez que pode ser vantajosa em termos de segurança

Google Chrome / Imagem: Growtika (Unsplash)
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Quando, em junho de 2024, o Google começou a transição para o Manifest V3 (sistema interno do Chrome), uma possibilidade surgiu no horizonte: o desaparecimento dos bloqueadores de anúncios. A empresa argumentava que essa arquitetura era mais segura e eficiente, mas a verdade é que, por trás dos panos, estava limitando a efetividade dos adblockers. Fazia sentido: o principal negócio do Google é a publicidade.

Mas as coisas não foram bem como o Google esperava. Um estudo independente da Universidade Goethe de Frankfurt revelou que, diferentemente do que se pensava inicialmente, a nova arquitetura do Chrome não reduz a eficácia das extensões de bloqueio de anúncios e de privacidade. Não há uma redução estatisticamente significativa no bloqueio de publicidade. Em resumo, o desempenho da arquitetura MV3 do Chrome é mais ou menos similar ao da MV2. E, além disso, traz vantagens em termos de fluidez e no bloqueio de rastreadores.

Esse achado é independente, ou seja, não se trata de um comunicado de imprensa do Google, que tem um evidente conflito de interesses, mas sim de um estudo acadêmico revisado pelo Proceedings on Privacy Enhancing Technologies. Ele é importante porque desmonta a ideia de que o MV3 seja uma ferramenta projetada exclusivamente para proteger o modelo de negócios publicitário do Google, inutilizando os adblockers.

Por fim, deixa a decisão nas mãos dos usuários: a diferença entre usar um bloqueador no Chrome ou no Firefox é praticamente imperceptível. Então, se esse for um critério de escolha, nesse aspecto há quase igualdade de condições.

O padrão antigo, MV2, permitia que as extensões interrompessem o tráfego de rede, o examinassem e decidissem se deveriam bloqueá-lo ou não em tempo real. Era poderoso, mas podia tornar a navegação mais lenta e uma extensão maliciosa podia ler todo o seu tráfego. O novo padrão já não intercepta o tráfego diretamente; em vez disso, fornece ao navegador uma lista de regras e é o próprio Chrome que executa o bloqueio, o que traz melhorias de desempenho e privacidade (em relação a terceiros), mas reduz a flexibilidade.

Os truques para a sobrevivência

Passar de pedir permissão para fornecer uma lista de regras parecia, no início, uma desvantagem. Ainda assim, os bloqueadores saíram fortalecidos no geral por três motivos:

  • A capacidade de adaptação das extensões de bloqueio (na prática, das equipes de desenvolvedores por trás delas), traduzindo seus filtros complexos para o formato exigido pelo Google sem perder efetividade.
  • Os bloqueadores são o cérebro e o navegador é o braço executor: agora é o próprio navegador que faz o trabalho pesado de processamento, o que se traduz em uma execução do bloqueio de anúncios mais rápida e fluida.
  • As novas regras são mais rígidas contra os “espiões”. O estudo descobriu que o MV3 bloqueia ainda melhor aqueles scripts que tentam coletar dados em segundo plano. Agora o sistema é mais rígido e isso, em termos de segurança, o torna mais difícil de burlar.

Ainda assim, o estudo aponta as letras miúdas dessa mudança, como o limite de regras que o MV3 impõe e a falta de dinamismo na hora de atualizar seu conjunto de regras. Além disso, não foi avaliado se o MV3 carrega os sites mais rápido do que o MV2. Vale lembrar que esta é uma fotografia do momento atual e que o Google tem poder para modificar as limitações da API, alterando assim esses resultados.

Imagem | Growtika (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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