Tendências do dia

Se você acorda ansioso depois de beber, não é coisa da sua cabeça: a ciência explica o efeito rebote que ataca seu sistema nervoso

Efeito rebote no cérebro explica por que o relaxamento do álcool pode virar ansiedade no dia seguinte

Jovem Triste Bebendo Cerveja. Créditos: shutterstock
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora

Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

495 publicaciones de Laura Vieira

Beber pode até parecer um atalho para relaxar e diminuir a timidez em situações sociais. Mas, para muita gente, o preço vem na manhã seguinte: um combo de ansiedade, inquietação e uma sensação angustiante difícil de explicar. Será que o álcool tem alguma relação com as emoções do dia seguinte ou essa constatação não passa de coisa da sua cabeça?

Um estudo publicado na ScienceDirect confirmou a primeira opção. Conhecido como hangxiety, ou ansiedade de ressaca, o fenômeno é resultado de um efeito rebote no sistema nervoso e encontrou uma ligação direta entre timidez elevada, aumento da ansiedade no dia seguinte e maior risco de transtorno por uso de álcool. A pesquisa analisou bebedores sociais em um ambiente natural, acompanhando os efeitos do álcool durante e após o consumo. 

Álcool pode provocar um efeito rebote no cérebro e aumentar a ansiedade no dia seguinte

A sensação de leveza que surge logo depois de beber os primeiros goles de uma cerveja ou drink não é apenas uma questão psicológica, mas bioquímica. Durante a intoxicação, o álcool aumenta a ação do GABA, um neurotransmissor associado à sensação de calma, e reduz a atividade do glutamato, ligado ao estado de alerta e à ansiedade. Como resultado, o indivíduo tende a sentir relaxamento, desinibição e aquela sensação de que conversar ficou bem mais fácil.

O estudo, comandado por Beth Marsh, acompanhou 97 participantes considerados bebedores sociais, recrutados para relatar seus hábitos durante o consumo. Antes de sair para beber, eles responderam questionários que mediam traços de timidez e níveis de ansiedade. Durante a ocasião, registraram a quantidade de álcool ingerida, e na manhã seguinte, voltaram a preencher questionários avaliando como estavam se sentindo fisicamente e emocionalmente.

Esse desenho, chamado de naturalístico, permitiu que os pesquisadores observassem os efeitos do álcool fora do ambiente controlado de laboratório, aproximando os dados da vida real. Ao cruzar as informações, a equipe identificou que participantes com maior timidez experimentavam um alívio temporário da ansiedade enquanto bebiam, mas apresentavam aumento significativo da ansiedade no dia seguinte

Hangxiety pode ser alerta inicial para transtorno por uso de álcool

Os pesquisadores perceberam que o desconforto da manhã seguinte pode revelar um problema muito maior do que um simples efeito colateral do álcool. O estudo sugere que a hangxiety pode funcionar como um sinalizador de vulnerabilidade para o transtorno por uso de álcool. A explicação passa pelo chamado reforço negativo. Se o álcool reduz temporariamente a ansiedade social, a pessoa pode passar a usá-lo como estratégia de enfrentamento. Quando o efeito passa e a ansiedade aumenta, o impulso pode ser beber novamente para aliviar o desconforto.

Esse ciclo é especialmente preocupante em pessoas tímidas, que já apresentam maior sensibilidade a situações sociais. Como a timidez é muito mais prevalente do que o transtorno de ansiedade social clínico, o impacto potencial é bem maior. Há um mecanismo neuroquímico por trás disso e, dependendo do perfil da pessoa, ele pode sofrer um risco maior de desenvolver problemas com álcool.


Inicio