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Os Países Baixos entenderam tão bem a conciliação laboral que, sem querer, adotaram a semana de trabalho de quatro dias

Tanto a produtividade quanto os salários estão acima da média europeia

Países Baixos reduziram jornada de trabalho naturalmente / Imagem: Unsplash (Isaac Maffeis, Isaac Burke)
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Quando se fala de países com alta produtividade, todos os olhares tendem a se dirigir à Alemanha ou à Irlanda. No entanto, os Países Baixos se tornaram referência europeia na hora de reduzir significativamente o volume de horas de trabalho em suas jornadas, aproximando-se de forma natural do modelo de semana de quatro dias. Essa tendência chama a atenção tanto por seu impacto na vida cotidiana quanto pelos dados econômicos do país, afastando as teorias alarmistas sobre a ruína econômica.

Segundo uma análise do Financial Times, os neerlandeses desfrutam de uma elevada qualidade de vida, em parte graças ao seu sistema de emprego flexível e bem remunerado, que evoluiu para priorizar o bem-estar pessoal em vez do modelo tradicional baseado em longas jornadas.

Países Baixos e sua jornada reduzida

De acordo com a 4 Days Week Foundation, os Países Baixos estruturaram seu mercado de trabalho de forma que a jornada integral não é o modelo mais comum e grande parte dos empregados prefere trabalhar menos horas de maneira voluntária. No entanto, longe de ser concebida como um modelo de precariedade, a proposta se consolidou em um exemplo de equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Segundo dados do Eurostat de 2023, a jornada média nos Países Baixos é a mais baixa da Europa, com apenas 32,2 horas trabalhadas, frente às 36,4 horas da Espanha ou às 35,5 horas da Irlanda. De acordo com os dados publicados pelo Financial Times, cerca de 50% dos holandeses trabalham em tempo parcial e a proporção é ainda maior entre as mulheres, que chegam a 75%.

Não se trabalha menos apenas nas jornadas de tempo parcial. Além da evidente redução que supõe trabalhar sob um modelo de jornada em tempo parcial, as jornadas de tempo integral também estão entre as mais curtas da Europa, com 39,1 horas, sendo superadas apenas pela Dinamarca, com 38,7 horas semanais.

Por serem mais curtas, os neerlandeses tendem a concentrá-las em quatro dias em vez de cinco. Bert Colijn, economista do banco ING, afirmou ao Financial Times que “A semana de trabalho de quatro dias se tornou muito, muito comum. Eu trabalho cinco dias e às vezes me criticam por isso!”.

Maior produtividade e melhores salários

Os dados do Eurostat destacam que os Países Baixos estão entre as nações com maior produtividade por hora trabalhada, situando-se em 45,3 euros por hora, frente aos 29,4 euros da Espanha, mas ainda distante da produtividade dos países escandinavos ou da Irlanda, que superam amplamente os 60 euros por hora trabalhada.

Essa conjunção de alta produtividade e jornadas reduzidas fez com que não se gerasse uma situação de precariedade salarial — pelo contrário, os Países Baixos mantiveram salários acima da média europeia. Segundo o Eurostat, a média dos salários brutos do país, ajustados pelo poder de compra (PPC), situa-se em 16,2 euros por hora, enquanto a média europeia é de 14,9 euros por hora.

Os Países Baixos não têm semana de trabalho de quatro dias. Em termos estritos, os Países Baixos não aplicaram nenhuma política de redução de jornada ou de semana de quatro dias. No entanto, quase sem intenção, o mercado de trabalho neerlandês se ajustou de forma que, na prática, suas empresas implementaram a semana de quatro dias sem redução salarial, após décadas de políticas de conciliação.

Imagem | Unsplash (Isaac Maffeis, Isaac Burke)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.

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