Um dia antes do lançamento, Google cancela aplicativo que tinha 800 mil pré-reservas

Empresa cancela o aplicativo do AI Studio para celulares; recursos serão incorporados ao Gemini

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O cemitério do Google é um lugar carregado de nostalgia, repleto de grandes ideias que não chegaram no momento certo. E também de algumas que mereciam esse destino, embora o Google tenha insistido em mantê-las vivas, como o Google+. Agora, a empresa levou sua política de cortes a um aplicativo que sequer foi lançado: o AI Studio para Android. O app tinha cerca de 800 mil pré-reservas em 168 países. 

O app móvel do Google AI Studio foi anunciado durante o último Google I/O como uma ferramenta para criar aplicativos usando inteligência artificial sem sair do celular. A proposta era permitir o desenvolvimento de software por meio de prompts, instalá-lo no aparelho e utilizá-lo imediatamente, tudo de forma simples. O aplicativo já estava disponível no Google Play para pré-registro, mas desapareceu da loja. O Google afirma que tem um plano B.

Um problema de coordenação

O Google mantém uma enorme equipe de funcionários, cada um em sua própria divisão. A comunicação entre os departamentos não tem fama de ser muito fluida, por isso Sundar Pichai vem reorganizando as equipes para melhorar a interação entre elas. O cancelamento de um aplicativo que já demonstrava grande potencial de sucesso pode ser explicado por uma certa desorganização entre as equipes do AI Studio, do Android e do Gemini, já que a prioridade acabou sendo direcionada para este último.

A equipe do AI Studio esclarece que o cancelamento do aplicativo não se deve a baixas expectativas, mas apenas a uma reorganização. O aplicativo não será lançado porque o Gemini passará a incorporar os recursos planejados para criação de aplicativos Android e testes diretamente no dispositivo. A impressão é de que a mensagem foi: "melhor deixar isso nas mãos da equipe que já tem um bom aplicativo", dirigida ao pessoal do AI Studio, já que a proposta fazia todo o sentido dentro do conceito de vibe coding.

Gemini, o superaplicativo

O Google sempre se destacou por não ter receio de desenvolver aplicativos experimentais. A empresa, inclusive, incentiva projetos independentes entre seus funcionários, como o Android Experiments (que, aliás, também parece estar a um passo de ir para o cemitério). Agora, porém, parece seguir na direção oposta: reduzir seu catálogo de software ao mínimo possível.

O Gemini para Android está se transformando em um superaplicativo. Ele não é apenas um mecanismo de busca: também gera textos, cria imagens, escreve código, compõe músicas, funciona como aplicativo de notas, de lembretes e muito mais. Além disso, pretende se tornar o agente de IA do Android. Com o cancelamento do AI Studio para Android, o Gemini pode acabar se tornando a chave mestra para criar nossos próprios aplicativos diretamente no celular e para o próprio celular. Só resta saber quando isso acontecerá — e torcer para que a equipe do Gemini cumpra o que outro departamento do Google prometeu.

Imagem | Google AI Studio (editada)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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