Mark Zuckerberg sonhou com a Meta sem gerentes intermediários, mas o tiro saiu pela culatra e estão implorando para que eles voltem

Após anos cortando níveis hierárquicos para acelerar decisões e apostar na IA, a gigante da tecnologia dá meia-volta e pede que antigos gestores voltem a liderar equipes

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Bárbara Castro

Redatora

Mark Zuckerberg tem uma obsessão clara desde 2023: quanto menos chefes na hierarquia, mais ágil a empresa se torna. Em um primeiro momento, ele batizou a estratégia de "ano da eficiência", com a meta declarada de transformar a Meta em uma organização com estrutura mais horizontal, equipes menores e tomada de decisões mais rápidas.

Com a ascensão da inteligência artificial, o plano ganhou força máxima com o chamado Project OT. Conforme revelou a agência Reuters, essa estratégia ambiciosa pretendia enxugar os times em até 60%, colocando agentes inteligentes para apoiar os colaboradores — iniciativa que, no fim das contas, precisou ser cancelada.

Nesse cenário, os cargos de gerência intermediária pareciam dispensáveis. O resultado foi uma onda de milhares de demissões e transferências para outros setores da empresa. Agora, a maré parece ter virado. Segundo apurou o portal Business Insider, a big tech começou a bater na porta desses profissionais remanejados para consultar se gostariam de reassumir seus postos de liderança.

Mudança de rota: agora a Meta quer gestores de volta

De acordo com fontes ouvidas pelo veículo norte-americano, a dona do Instagram procurou funcionários que ocupavam posições de média gerência para sondar o interesse deles em voltar à liderança de equipes na divisão de Applied AI (AAI).

A unidade de Applied AI foi estabelecida no início deste ano como estrutura de apoio ao laboratório de Superinteligência, onde atuam as principais contratações de Zuckerberg para IA. O setor incorporou cerca de 7 mil colaboradores. O detalhe irônico é que muitos desses profissionais vinham justamente de funções de comando e, da noite para o dia, passaram a trabalhar como colaboradores individuais, sem ninguém sob sua supervisão.

Mais um passo atrás no plano de reestruturação

A iniciativa da Meta de pedir o retorno desses líderes intermediários entra em rota de colisão direta com o discurso de simplificação hierárquica que o executivo vinha defendendo de forma insistente desde 2023.

Essa guinada na condução dos times parece ser consequência de uma reviravolta forçada: dados internos teriam comprovado que a aposta de coordenar equipes com forte apoio de IA acabou prejudicando a qualidade final dos produtos desenvolvidos.

Pouca liderança sobrou no caminho

Conforme noticiou o Business Insider, os cargos de chefia intermediária foram justamente a faixa mais castigada durante as diferentes rodadas de demissão aplicadas no primeiro semestre. A reorganização representou um dos maiores cortes de pessoal da história da companhia, com quase um terço de todos os demitidos ocupando posições de liderança.

Contudo, após cancelar o Project OT e admitir publicamente o erro de cálculo ao reduzir departamentos em até 60%, o fundador do Facebook prometeu que novos cortes massivos não voltariam a acontecer. 

"Quero deixar claro que não prevemos mais demissões em massa em toda a empresa este ano. Também reconheço que não fomos tão claros quanto gostaríamos na comunicação, e essa é uma área em que pretendo garantir melhorias", afirmou Zuckerberg em memorando aos funcionários obtido pela Reuters.

No fim das contas, menos nem sempre é mais

Segundo dados da consultoria Gallup, o número médio de subordinados diretos por gestor subiu de 10,9 colaboradores em 2024 para 12,1 em 2025. Esse patamar é quase 50% superior ao registrado em 2013, o que revela uma tendência entre as empresas de inflar os times. Mesmo assim, a mediana de mercado segue em seis pessoas por equipe, e o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos calcula uma proporção média de um gerente para cada 11,5 funcionários no país.

O objetivo de Zuckerberg era fugir dessa métrica a qualquer custo, mas a Meta não está sozinha nessa cruzada. A Uber acaba de anunciar o corte de 10% da sua folha de pagamento — a maior redução na gigante de transporte desde a pandemia —, com 20% das demissões atingindo cargos intermediários.

A empresa de mobilidade alega que a medida visa desburocratizar a estrutura ao remover níveis gerenciais. No entanto, o tropeço recente da Meta prova que achatar uma corporação desse porte nem sempre sai como o previsto na teoria. Pelo sim, pelo não, é bom que as companhias guardem bem o contato desses gestores dispensados.

Matéria traduzida de Xataka*

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