Se quisermos conquistar o espaço, precisamos de postos de gasolina espaciais. Construir espaçonaves maiores, capazes de transportar mais combustível, não é economicamente viável; esperar pelo reabastecimento das naves pode levar muito tempo e gerar custos extras, sem considerar o consumo de recursos que isso acarretaria aqui na Terra. É por isso que os cientistas há muito tempo exploram a ideia de encontrar fontes de combustível que possam ser obtidas diretamente no espaço. Existem vários candidatos; mas, de acordo com um estudo publicado há alguns meses, Titã pode ser uma das opções mais interessantes.
Titã, a lua ideal para reabastecimento
Segundo cientistas da NASA, do Instituto Politécnico de Worcester e da Universidade da Flórida, Titã, a maior lua de Saturno, seria a estação espacial ideal para reabastecimento por diversos motivos. Primeiro, sua atmosfera densa é muito rica em nitrogênio e metano. Além disso, possui inúmeros rios e lagos de hidrocarbonetos, que incluem mais metano, mas também etano. Por fim, sua crosta abriga uma grande quantidade de gelo. Isso significa que há acesso a água, metano e outros ingredientes essenciais tanto para o reabastecimento de espaçonaves quanto para a construção e até mesmo a sobrevivência de astronautas. São só vantagens. Ou quase.
Falta de metais
A única coisa que faltaria seriam metais para construção, já que estes não existem em Titã. No entanto, alguns asteroides metálicos do cinturão principal de asteroides poderiam ser utilizados.
Saturno e suas luas não estão ao virar da esquina, asteroides ricos em metais também não. Para alcançá-los sem investir muito tempo, seriam necessários sistemas de propulsão nuclear. Esses métodos já estão sendo estudados, mas nada de concreto foi alcançado ainda que permita viagens tão longas, então, por enquanto, essa estação de reabastecimento espacial seria inviável.
Mais desvantagens
Além da dificuldade de alcançar Titã, esta lua de Saturno apresenta outras desvantagens para o uso como estação de reabastecimento espacial. Por exemplo, ela é envolta por uma névoa alaranjada que bloqueia a luz solar e impede o uso da energia solar para a extração de materiais. Além disso, seus -180ºC a tornam um lugar bastante inóspito. Postos de gasolina aqui na Terra não são os lugares mais confortáveis, mas pelo menos não congelamos até a morte quando paramos para reabastecer.
O futuro começa em 2028
Será nesse ano, no mínimo, que a NASA lançará sua missão Dragonfly, que usará um drone para explorar Titã, estudar sua composição química e analisar tanto sua habitabilidade quanto, quem sabe, seu potencial como estação de reabastecimento espacial. Uma vez em seu destino, a Dragonfly terá mais de três anos de trabalho pela frente, então, pelo menos até a próxima década, não saberemos se Titã será realmente um bom lugar para reabastecer. Não há outra opção a não ser reabastecer e, por enquanto, concentrar esforços em pontos mais próximos, como a Lua. Afinal, esse é o próximo destino espacial da humanidade.
Imagens | Equipe de Imagens da Cassini, Crédito da Imagem: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
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