Madri tem 64.716 bancos, mas ainda há gente que não tem onde se sentar. Um cidadão propôs uma mudança

Uma proposta cidadã de 2024 acabou se transformando em um contrato municipal de 1,2 milhão de euros

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Há cidades que parecem projetadas para caminhar, como Dublin ou Copenhague; ou para andar de bicicleta, como Amsterdã; outras, para fazer compras, como Milão. E algumas têm praças onde cabem milhares de pessoas, mas encontrar um assento no mobiliário urbano é pouco mais que um milagre, seja devido à arquitetura hostil, seja porque simplesmente se esqueceram deles. Madri quer remediar isso ou, no mínimo, comprar os bancos necessários para tentar.

A história começa em 2024, quando um cidadão que se identifica como Bravotron apresentou uma proposta no Decide Madrid, plataforma online oficial de participação cidadã da Prefeitura. Seu pedido era simples: mais bancos na capital. Em sua justificativa, falava de pessoas idosas que querem sair para caminhar e aproveitar seu bairro. Agora, a proposta chega à fase de contrato público: a Prefeitura abriu uma licitação para o fornecimento de, no mínimo, 1.602 bancos, com um orçamento-base de cerca de 1,2 milhão de euros. E isso levanta uma pergunta: como se decide onde é necessário um banco?

Madri conta com 64.716 bancos distribuídos pelas ruas, praças e parques. Os mais de 1.600 propostos não serão 100% novos: uma parte substituirá os que já existem e não cumprem as normas de acessibilidade. O restante servirá para aumentar a quantidade nos bairros onde a Prefeitura considera que eles são insuficientes. Não se trata de uma iniciativa isolada: já faz algum tempo que o governo está renovando o mobiliário, utilizando agora materiais como madeira misturada com polímeros, resina sintética e plástico reciclado, pensados para suportar vandalismo, uso intensivo e condições meteorológicas.

A Prefeitura justifica a compra pela “demanda geral dos cidadãos” por bancos onde a quantidade atual é insuficiente e que pretende “reequilibrar” o número de assentos entre distritos e bairros. Já em 2022, o projeto de instalar mais bancos foi incluído, entre outras 132 propostas, nos Orçamentos Participativos de 2021-2022. Agora falta alguém aceitar o desafio e assumir o projeto.

Madri

Ordem e medida

A associação A Pie, parte da Federação Regional de Vizinhos de Madri, propôs que não houvesse mais de 100 metros entre os assentos para favorecer os deslocamentos a pé e afirma que muitas ruas de Madri não cumprem essa recomendação, embora exista espaço para colocá-los. Também exigem alguns requisitos mínimos de acessibilidade: um encosto, apoios para os braços ou determinada altura podem atender justamente a necessidades diferentes conforme o contexto. Eles apontam, entre outros exemplos, a Plaza Mayor, Jacinto Benavente e Chueca. Madri dispõe de um site oficial que permite localizar seus bancos, e a associação o utilizou para estudar sua distribuição.

Um assento não cumpre a mesma função ao lado de um centro de saúde, de uma escola ou em frente a um mercado. Estar carregado de sacolas não é a mesma coisa que precisar fazer uma pausa urgente, e seu uso é muito diferente daquele situado em uma área de passagem. No Decide Madrid, há outra proposta, “Um banco sob a árvore, a nova esquina da cidade”, que propõe aproveitar as ampliações das calçadas para combinar árvores e assentos.

Existem muitas soluções e possíveis formas de enfrentar um problema: de acordo com as últimas estimativas disponíveis do sistema MoMo, o calor teria causado 5.232 mortes atribuíveis às altas temperaturas na Espanha durante o verão de 2026, com 2.147 mortes somente em agosto. A AEMET contabilizou 61 dias de onda de calor em 2026, o maior número da série histórica, e Madri foi um ponto crítico.

A relação entre sombra, vegetação e permanência no espaço público de Madri foi amplamente estudada, e foram levados em consideração os fatores ambientais que influenciam o uso do espaço público. Há vários estudos sobre as relações entre conforto térmico e acústico para a terceira idade e a importância de situar áreas de descanso próximas a áreas verdes. Não por acaso, já foi demonstrado que a folhagem das árvores não apenas influencia o conforto visual e térmico percebido, como também foi constatado, no bairro do Retiro, que elas podiam reduzir a temperatura do ar entre 2,4 e 2,8 ºC.

Nos comentários da proposta cidadã, aparecem moradores que apoiam a instalação de mais bancos, mas pedem que seja levado em conta onde eles serão colocados, porque podem se transformar em pontos de encontro noturno. A própria Prefeitura fala em colocar os bancos onde for identificada uma necessidade, embora ainda falte: a previsão é que o investimento seja executado entre o fim de 2026 e meados de 2027.

Imagens | Pexels (1 e 2)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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