O fim do home office não afetou só o trânsito: a volta aos escritórios está sufocando a economia do interior e mudando o mercado imobiliário das cidades

Pandemia levou famílias para cidades mais afastadas em busca de espaço e qualidade de vida, mas a retomada do presencial recolocou o deslocamento no centro das decisões sobre onde morar

O Fim Do Home Office Nao Afetou So O Transito
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora

A expansão do home office durante a pandemia mudou os hábitos de moradia em São Paulo. Com menos necessidade de estar perto do trabalho, muitas famílias deixaram a capital em busca de casas maiores, cidades mais tranquilas e mais contato com áreas verdes.

Agora, a volta ao trabalho presencial e a consolidação do modelo híbrido estão mudando novamente esse cenário. Dados do Colégio Notarial do Brasil (CNB/SP) mostram que São Paulo registrou 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis em 2025, recorde histórico e volume 49,6% maior que o registrado em 2020.

A proximidade do trabalho voltou a pesar entre os colaboradores

Durante a pandemia, a possibilidade de trabalhar de qualquer lugar permitiu que muitas pessoas se mudassem para cidades mais afastadas dos grandes centros. Com a volta aos escritórios, tempo de deslocamento, transporte e distância passaram novamente a fazer parte da decisão de onde morar.

Uma pesquisa da WeWork em parceria com a Offerwise aponta que 63% dos profissionais trabalham presencialmente. Entre eles, 79% afirmam que esse modelo é determinado pela empresa, e não uma escolha própria.

O deslocamento também aparece como um dos principais problemas: 65% dos entrevistados apontam o trajeto até o trabalho como uma desvantagem do modelo presencial, enquanto 53% dizem ter aumentado os gastos relacionados à ida ao escritório.

Empresas aumentam a presença nos escritórios

A volta ao presencial está relacionada, segundo levantamento da Robert Half, a fatores como integração entre equipes, comunicação e cultura organizacional.

Entre os motivos citados pelas empresas estão o fortalecimento da cultura corporativa, melhora da colaboração e maior integração das equipes. 

Shutterstock 1060006208

Ao mesmo tempo, 54% dos gestores ouvidos consideram que aumentar a presença no escritório pode elevar o risco de perder funcionários.

Do lado dos trabalhadores, a preferência também não é uniforme: segundo a pesquisa, 52% considerariam trocar de emprego se perdessem flexibilidade.

Mercado imobiliário entrou em uma nova fase

Para Andrey Guimarães Duarte, vice-presidente do CNB/SP (Colégio Notarial do Brasil), a queda nas escrituras das cidades do interior não significa necessariamente uma saída em massa de moradores. Os números indicam uma redução nas transações depois de um período de crescimento excepcional.

O cenário também não representa uma volta ao que existia antes da pandemia. A experiência do home office trouxe novas possibilidades de moradia, mas a retomada dos escritórios fez com que a localização voltasse a ter peso nas decisões imobiliárias.

Assim, o mercado passou para uma fase em que empresas, trabalhadores e famílias precisam encontrar um novo equilíbrio entre moradia, flexibilidade e deslocamento.

Imagens: Shutterstock


Inicio