Na Espanha, apenas 1 de 30 aves ameaçadas de extinção sobrevive no habitat natural após criação em cativeiro

Animais são ingênuos demais diante de predadores em potencial; operação custou 5 milhões de euros

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Manter sob controle a população de uma espécie invasora exige um enorme esforço, pesquisa e investimento. Evitar o desaparecimento de espécies nativas também. Infelizmente, não basta conseguir filhotes da espécie em questão e soltá-los em seu habitat natural. Um exemplo disso é o tetraz-cantábrico, uma subespécie exclusiva da Cordilheira Cantábrica, ao norte da Espanha, e também a mais ameaçada de toda a Europa Ocidental.

Em 2005, o tetraz-cantábrico passou a ser classificado como "em perigo de extinção". Atualmente, restam menos de 300 exemplares vivendo em liberdade e esse número continua diminuindo (o governo regional de Castela e Leão estima uma população ainda menor). Em 2018, foi iniciado um plano para tentar recuperar a espécie, incluindo reprodução em cativeiro, melhoria do habitat e solturas experimentais. A primeira tentativa de reintrodução foi um desastre completo.

Os Jogos Vorazes do tetraz

Entre 23 de outubro e 4 de novembro de 2025, foi realizada a primeira soltura de 30 tetrazes criados em cativeiro no Centro de Valsemana, na Zona de Proteção Especial para Aves de Alto Sil, na província de León. O desfecho lembrou o de Jogos Vorazes: seis meses depois apenas uma fêmea permanecia viva. Os dados de monitoramento obtidos por dispositivos GPS/GSM e transmissores VHF mostram que 26 das 29 mortes foram causadas por predadores, como raposas, aves de rapina e martas.

Os números confirmam que a reintrodução de aves criadas em cativeiro raramente funciona com galináceos florestais, principalmente por um motivo: elas são ingênuas demais diante de predadores em potencial, como já havia sido demonstrado anteriormente. Com a população selvagem em estado crítico, essas tentativas fracassadas representam desperdício de recursos e de tempo, algo que, do ponto de vista biológico, está se esgotando para a espécie.

Infelizmente, não é a primeira vez que isso acontece. Um experimento semelhante realizado em Harz, na Alemanha, teve um desfecho parecido: apenas 23% das aves libertadas sobreviveram, a maior parte das mortes ocorreu no primeiro mês (a sobrevida média foi de 13 dias) e 62% delas foram causadas por raposas. Além dos predadores, os pesquisadores também identificaram problemas fisiológicos: o sistema digestivo dessas aves não é tão preparado quanto o de indivíduos selvagens para uma alimentação natural.

Antes da soltura, as aves permaneceram entre 12 e 19 dias em viveiros de pré-soltura, onde se adaptaram bem. Depois, a libertação foi realizada de forma gradual e sem incidentes, em cinco grupos (três compostos apenas por machos e dois mistos). O monitoramento inicial mostrou que a maioria permaneceu nas proximidades do ponto de soltura, com apenas três indivíduos se afastando mais de um quilômetro. A reprodução em cativeiro funciona muito bem, o que confirma que o problema não é reproduzir a espécie, mas garantir sua sobrevivência depois da reintrodução.

Embora seja verdade que o programa tenha proporcionado avanços e aprendizados, o balanço dos resultados, em números, é mais pessimista. Não há dados públicos sobre o custo dessa soltura específica, mas há informações sobre o programa como um todo: o Centro de Reprodução de Valsemana, juntamente com sua ampliação e as ações de melhoria do habitat do tetraz-cantábrico, consumiu mais de 5 milhões de euros.

Embora o resultado tenha sido um fracasso em termos de sobrevivência, a estratégia não é inviável. Um estudo realizado na Polônia com 22 tetrazes jovens libertados constatou que sua atividade, deslocamentos e alimentação eram semelhantes aos das aves selvagens, concluindo que a reintrodução de tetrazes criados em cativeiro pode ser bem-sucedida, desde que a mortalidade inicial seja reduzida.

De fato, um programa realizado na Alemanha nas décadas de 1980 e 1990 conseguiu estabelecer uma população de 30 a 40 indivíduos após a libertação de 393 aves. Em resumo: a mortalidade inicial é extremamente alta, mas o aprimoramento do treinamento antipredadores e o controle de predadores na área de soltura podem melhorar a taxa de sobrevivência. Inclusive, essa é uma possibilidade que o próprio governo regional de Castela e Leão já considera para futuras ações.

Imagem | Patrice Schoefolt (Pexels)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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