Há aproximadamente 12 mil quilômetros de distância do Brasil, na Nova Zelândia, existe um casal de periquitos que parece ter assumido uma missão bastante específica: impedir que sua espécie desapareça. Nacho e Trixie, dois periquitos da espécie kākāriki karaka, também conhecido como periquito-de-testa-laranja, produziram 55 filhotes em apenas dois anos. O número representa mais de 10% da população total da espécie, que hoje conta com cerca de 450 entre animais selvagens e criados em cativeiro. O acontecimento chamou atenção em todo mundo e transformou o casal em uma espécie de super reprodutores dentro dos programas de conservação do país.
Casal já produziu mais filhotes do que a maioria dos programas de reprodução
Salvar uma espécie da extinção é uma tarefa que exige muito planejamento, monitoramento e investimento. Mas, às vezes, a própria natureza interfere positivamente nesse processo, como o que aconteceu com Nacho e Trixie. Eles vivem no Isaac Conservation and Wildlife Trust, em Christchurch, uma ilha da Nova Zelândia. Desde que foram colocados juntos em 2024, eles produziram 55 filhotes, sendo 33 apenas na última temporada reprodutiva, ocorrida entre dezembro e abril.
O número impressiona porque outros casais participantes do mesmo programa costumam gerar entre 10 e 15 filhotes no mesmo período. Segundo os responsáveis pelo projeto, a diferença pode estar na forma como o casal foi formado. Ao invés de unir aves aleatoriamente, os conservacionistas permitiram que os próprios periquitos escolhessem seus parceiros entre outros indivíduos compatíveis.
Além da alta taxa de reprodução, Nacho e Trixie também apresentam características incomuns. Nacho é descrito como extremamente curioso e interessado no que acontece ao seu redor. Já Trixie é maior do que a maioria das fêmeas da espécie. Por isso, muitos de seus filhotes também costumam nascer maiores do que o normal.
Espécie já foi declarada extinta duas vezes e ainda enfrenta ameaças
O casal de periquitos Nacho (esquerda) e Trixie (direita) vem impulsionando os esforços de conservação do kākāriki karaka, espécie que conta com apenas cerca de 450 indivíduos no mundo.
O sucesso de Nacho e Trixie ganha uma dimensão ainda maior quando se observa a situação do periquito-de-testa-laranja. Considerado o periquito mais raro da Nova Zelândia, o animal já foi declarado extinto duas vezes: em 1919 e em 1965, sendo redescoberto posteriormente em regiões remotas e montanhosas do país.
Atualmente, ambientalistas e comunidades indígenas trabalham juntas para evitar que a história se repita. O programa de recuperação da espécie inclui monitoramento constante das populações selvagens, criação de áreas livres de predadores e projetos de reprodução em cativeiro para aumentar o número de aves. No entanto, os desafios continuam sendo enormes. Predadores introduzidos pelos humanos, perda de habitat, doenças e até os impactos das mudanças climáticas estão entre as principais ameaças ao futuro da espécie.
Apesar disso, os resultados obtidos desde o início do programa de reprodução, em 2003, trazem sinais positivos. Centenas de periquitos já foram criados e soltos na natureza, e a meta dos conservacionistas é dobrar o número de populações estabelecidas nas próximas décadas. Até lá, Nacho e Trixie vão continuar vivendo juntos e lutando contra a extinção da própria espécie.
Ver 0 Comentários