Talvez você não esteja preocupado com a extinção em massa de insetos, mas sua carteira tem uma visão diferente

Mudanças climáticas e uso de pesticidas levaram à perda de biomassa

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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Há anos ouvimos alertas sobre o colapso global das populações de abelhas, borboletas e outros polinizadores. Até agora, o debate tem se concentrado frequentemente na perda de biodiversidade e ecossistemas, mas um novo e inovador estudo acaba de demonstrar que essa crise ecológica vai muito além, apontando que o declínio dos insetos já está impactando diretamente a nutrição humana, tornando-se uma questão crucial de segurança alimentar.

Embora algumas pessoas desejem o desaparecimento desses insetos por considerá-los repugnantes, a realidade é que essa não é a melhor solução. A chave para esse novo alerta reside em um estudo publicado na revista Nature, que quantificou o impacto real e tangível da falta de polinizadores no meio ambiente.

O que foi descoberto

A equipe analisou o cotidiano de 10 aldeias agrícolas no Nepal durante um ano e cruzou dados sobre a abundância e diversidade de insetos polinizadores na região, a produtividade exata de suas plantações e, principalmente, o estado nutricional dos habitantes.

Após o cruzamento de todas essas informações, os resultados indicaram que os polinizadores são diretamente responsáveis ​​por aproximadamente 44% da renda agrícola dessas comunidades. Mas o dado mais crítico reside na dieta, já que os insetos garantem mais de 20% da ingestão de vitaminas A, E e folato. Com a diminuição da polinização, as colheitas de frutas, vegetais e sementes ricas nesses micronutrientes caem drasticamente, deixando as comunidades vulneráveis ​​a deficiências nutricionais.

Uma grande crise

Para entender a magnitude dessa descoberta, é necessário observar a tendência global, frequentemente chamada de "apocalipse dos insetos" pela comunidade científica e pela mídia. Nesse caso, um estudo de 2019 soou o alarme ao estimar que 40% das espécies de insetos em todo o mundo estão em declínio. Os dados apontaram para quedas acentuadas no número de insetos voadores em partes da Alemanha e também nas florestas de Porto Rico.

E, logicamente, esse desaparecimento global tem consequências, já que os insetos são a base de inúmeras cadeias alimentares e essenciais para a reciclagem de nutrientes e a polinização. Estima-se que, globalmente, aproximadamente três quartos das culturas alimentares do mundo dependem, em alguma medida, da polinização animal.

Por que estão desaparecendo?

A ciência é clara: o uso intensivo da terra e as mudanças climáticas são fatores muito importantes para explicar o declínio desses insetos. As regiões que sofrem os maiores declínios na abundância e diversidade de insetos são, paradoxalmente, aquelas com agricultura intensiva e pouco habitat natural remanescente, situação agravada pelo aumento das temperaturas.

Em última análise, estamos diante de um verdadeiro ciclo vicioso, já que os habitats dos insetos são destruídos e os pesticidas são usados ​​em larga escala para produzir mais alimentos, mas, ao fazê-lo, aniquilamos os próprios polinizadores dos quais dependem a rentabilidade e a qualidade dessas mesmas colheitas.

Existe uma solução?

A pesquisa sugere que a solução está no plantio de faixas de flores nativas ao redor das plantações para garantir um suprimento constante de alimento para os polinizadores. Além disso, a transição para modelos agrícolas que não envenenem indiscriminadamente nossos aliados também é crucial.

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