O planeta está cada vez mais quente. Sempre houve variações extremas de temperatura, mas as ondas de calor são cada vez mais frequentes e a temperatura média está mais elevada. Por isso, é urgente uma mudança na construção para tornar os edifícios mais verdes e eficientes.
E nessa busca por reduzir o uso do ar-condicionado, entram em jogo técnicas milenares para regular a temperatura do interior. Um escritório de arquitetura de Nova Deli tem uma alternativa: uma colmeia de abelhas feita de argila capaz de reduzir a temperatura interna em até 15 graus.
Na verdade, a "invenção" não é mérito desses arquitetos e se baseia em uma tecnologia que tem centenas ou milhares de anos. Construções com argila ou terracota foram muito utilizadas em várias partes do mundo e os egípcios já tinham um ar-condicionado primitivo: enchiam um recipiente de barro com água e o abanavam para obter um ar mais fresco.
Isso se deve às propriedades do material. O barro é poroso, o que permite que a água vá se infiltrando nos poros e evapore ao entrar em contato com o exterior. Essa água que evapora leva consigo parte da energia térmica da água, fazendo com que a água restante no interior se mantenha em uma temperatura muito mais fresca. No caso da Índia, usa-se vasos de barro chamados “matka”.
Uma colmeia de terracota
Observando o funcionamento de um matka, o arquiteto indiano Monish Siripurapu se perguntou se seria possível extrapolar esse princípio para criar algo capaz de resfriar um ambiente. Segundo a BBC, um dos clientes de seu escritório era um fabricante de produtos eletrônicos que tinha um gerador a diesel instalado entre sua fábrica e o prédio ao lado. O calor gerado era tão intenso que se tornava insuportável.
Foi então que Siripurapu teve a ideia de inverter a tecnologia do vaso de barro. Ou melhor, do matka. Assim, em vez de resfriar algo contido dentro de uma estrutura, o sistema usaria a água para resfriar o ar ao seu redor. Foi assim que ele começou a fazer experimentos e chegou a um projeto final batizado de Beehive, composto por entre 800 e 900 cilindros de argila organizados como um favo de mel dentro de uma estrutura de aço inoxidável.
Depois de testar vários tipos de estrutura, os arquitetos chegaram à conclusão de que esse formato de colmeia era o mais eficiente e capaz de fazer com que a temperatura em espaços internos e externos caísse mais de seis graus. O escritório afirma que, em determinadas condições, é possível que a temperatura do ar que sai pela estrutura seja 14 graus menor.
Isso acontece porque a argila tem uma carga negativa que atrai a água tanto na fase de vapor quanto na fase líquida. Assim, o ar quente entra pelos cilindros e sai pela outra extremidade a uma temperatura mais baixa.
O escritório dá um exemplo de aplicação em que o ar entrava na instalação a uma velocidade de 10 metros por segundo e a uma temperatura de cerca de 50 graus. A temperatura ambiente no exterior era de 42 ºC. Depois de passar pela estrutura, o ar saía a uma velocidade de 4 m/s e a uma temperatura de 36 ºC.
Água constante
Para maximizar os resultados, os responsáveis pelo projeto afirmam que a água deve cair constantemente sobre a estrutura. Eles consideram que é uma solução mais econômica e ecologicamente correta do que os aparelhos de ar-condicionado, pois utiliza água reciclada, proveniente de sobras de edifícios e fábricas, e a única fonte de eletricidade envolvida no processo é uma bomba d'água.
A água fica circulando e sendo bombeada repetidamente enquanto a instalação está em uso, e o tanque pode ser reabastecido mensalmente. Agora, será preciso verificar qual é a quantidade de água que evapora, pois isso pode acelerar o intervalo entre esses reabastecimentos periódicos.
No fim, o que esse escritório está propondo é algo que pode ser usado como obra de arte, como ar-condicionado e com materiais ecologicamente corretos, já que a argila pode voltar à terra sem problemas. Como dissemos algumas linhas atrás, não é uma tecnologia nova, mas essa implementação resgata essa tecnologia milenar para nos ajudar com um problema atual.
Imagens | Ant Studio, Lourdes Cardenal
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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