O sucesso dos medicamentos contra a obesidade transformou o setor farmacêutico em uma das histórias mais lucrativas dos últimos anos. Agora, investidores apostam que algo semelhante pode acontecer em um mercado bem diferente: o de tratamentos para queda de cabelo.
Mercado da “calvície” ficou décadas sem grandes novidades
A alopecia androgenética, conhecida como calvície de padrão masculino ou feminino, é uma das formas mais comuns de queda de cabelo. Nos Estados Unidos, estima-se que ela afete cerca de 50 milhões de homens e 30 milhões de mulheres.
Atualmente, os principais tratamentos aprovados para a calvície de padrão androgenético incluem o minoxidil e, para determinados pacientes, a finasterida. O primeiro pode ser encontrado em formulações tópicas, enquanto a finasterida é administrada por via oral e atua sobre uma via hormonal relacionada à queda de cabelo.
O problema é que nenhum deles representa uma solução definitiva para todos os pacientes. Além disso, ambos podem apresentar efeitos adversos e precisam ser utilizados continuamente para manter os resultados.
Novo comprimido pode inaugurar nova geração de tratamentos
Uma das empresas mais avançadas na corrida contra a calvície é a Veradermics, que chama a atenção dos investidores. A companhia desenvolve o VDPHL01, uma formulação oral de liberação prolongada de minoxidil.
A proposta é transformar o medicamento tradicional em uma formulação de liberação estendida para manter concentrações mais estáveis do princípio ativo no organismo.
Em abril, a companhia divulgou resultados positivos de um estudo de fase 2/3 com mais de 500 homens. Após seis meses, os participantes que receberam o medicamento apresentaram aumento significativo na quantidade de fios na área avaliada em comparação ao grupo placebo.
Em julho, a empresa também anunciou resultados positivos de um estudo de fase 2 envolvendo mulheres com queda de cabelo. Segundo a Veradermics, o medicamento pode se tornar o primeiro tratamento oral aprovado pela FDA especificamente para calvície de padrão feminino.
Outro medicamento bloqueia mecanismo ligado à queda
Outra aposta da indústria é a clascoterona, desenvolvida pela Cosmo Pharmaceuticals. Diferentemente do minoxidil, o medicamento tópico atua bloqueando a ação de andrógenos nos folículos capilares — uma das vias envolvidas na calvície de padrão masculino.
Os resultados da fase 3 divulgados em abril mostraram crescimento contínuo dos fios entre homens que permaneceram em tratamento por 12 meses. A empresa prepara os pedidos de aprovação nos Estados Unidos e na Europa, com previsão de submissão nos EUA para o início de 2027.
Aposta mais futurista usa inteligência artificial
Enquanto Veradermics e Cosmo trabalham com moléculas e mecanismos relativamente conhecidos, a Absci está tentando criar uma nova abordagem com o auxílio de inteligência artificial.
A companhia desenvolve o ABS-201, um anticorpo projetado com inteligência artificial para atingir o receptor de prolactina, chamado PRLR. O medicamento ainda está em estágio inicial de desenvolvimento.
Em junho, a empresa informou que os primeiros dados de fase 1 indicaram um perfil inicial favorável de segurança e que a meia-vida estimada do composto poderia permitir apenas duas ou três aplicações ao longo de seis meses — embora isso ainda precise ser confirmado em estudos posteriores.
Por que Wall Street está tão interessada?
Os tratamentos com GLP-1 transformaram medicamentos que antes tinham um mercado relativamente limitado em produtos capazes de gerar bilhões de dólares em receita.
No caso da calvície, a própria Veradermics estima cerca de 50 milhões de homens e 30 milhões de mulheres com queda de cabelo de padrão nos Estados Unidos.
Além disso, o mercado pode comportar vários produtos ao mesmo tempo. Um paciente pode combinar diferentes tratamentos ou trocar de medicamento conforme os resultados e efeitos colaterais.
Imagens: Shutterstock
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