Relato original de Amparo Babiloni, do Xataka Espanha
A maioria de nós usa o ar-condicionado no modo de resfriamento no verão e no modo de aquecimento durante o inverno, mas existe um terceiro modo que muita gente nunca ativa e que pode ser uma opção muito interessante em diversas situações, inclusive para combater o calor. Estamos falando do modo seco, ou dry.
Confesso que eu ignorava completamente o botão dry do meu ar-condicionado, mas, há pouco tempo, resolvi pesquisar melhor sobre essa função e, hoje, é a que deixo ativada por padrão.
O que é o modo seco do ar-condicionado e qual a diferença em relação ao modo de resfriamento?
Em muitos aparelhos de ar-condicionado, o modo seco é identificado pelo ícone de uma gota d'água, embora outros simplesmente o chamem de seco ou dry. O próprio nome já dá uma pista bastante clara do que ele faz: remove a umidade do ar. Embora seu principal objetivo não seja reduzir a temperatura, ele ajuda a refrescar o ambiente, especialmente em climas úmidos ou em dias abafados, quando o ar parece pesado e pegajoso.
Sobre a diferença em relação ao modo de resfriamento, o técnico em ar-condicionado José Beltrán explica que, no modo de resfriamento, "você reduz a temperatura e a umidade e pode controlar tanto a velocidade do ventilador quanto a temperatura desejada". Já o modo seco "funciona em velocidades mais baixas porque, ao movimentar um menor fluxo de ar, remove mais umidade, mas, em geral, não permite controlar a temperatura desejada".
Em alguns aparelhos de ar-condicionado, ao selecionar o modo seco, não é possível escolher nem o fluxo de ar nem a temperatura, enquanto, em outros, isso é permitido. Eu mesma tenho dois aparelhos split em casa e, em um deles, da Hisense, não consigo configurar nada, mas no outro, da Haier, posso escolher a temperatura. Beltrán afirma que "em alguns aparelhos, isso é possível e, em outros, não; depende do fabricante".
Qual consome menos?
Com verões cada vez mais quentes, o ar-condicionado se tornou uma das principais preocupações quando o assunto é o aumento da conta de luz. Em nível mundial, em 2022, ele foi responsável por 7% de todo o consumo de eletricidade do planeta, superando inclusive o consumo dos data centers.
Diante disso, surge a pergunta que não quer calar: o modo dry consome menos eletricidade? Nesse ponto, os especialistas são unânimes. "Ele consome menos porque o compressor trabalha em rotações mais baixas", afirma José Beltrán. A Mitsubishi Electric concorda: "Ele consome menos energia do que o modo cool, pois opera com menor intensidade". Segundo a Midea, "como o compressor e o ventilador funcionam com menor capacidade no modo seco, ele costuma consumir menos eletricidade do que o modo cool convencional".
Quando usar cada um?
A recomendação geral, segundo Beltrán, é usar "o modo de resfriamento no verão e o modo de aquecimento no inverno". No entanto, ele admite que, em regiões com clima muito úmido, "fica a gosto do consumidor. Para Valência, na Espanha, acredito que os dois são muito adequados por causa da alta umidade que temos".
Portanto, o principal fator a ser levado em conta na hora de decidir é a umidade do ambiente. Se você mora em uma região litorânea, onde o clima costuma ser mais úmido, o modo seco pode ser uma opção bastante interessante. No meu caso, moro em Valência e a umidade costuma ficar entre 60% e 70% durante os meses de verão. Em dias de calor extremo, como os que estamos enfrentando este ano, o modo seco se tornou um grande aliado: ele elimina a sensação de abafamento e resfria o ambiente de forma mais do que suficiente, sem deixá-lo tão gelado quanto o modo de resfriamento convencional.
Outra coisa de que gosto bastante nesse modo é que, ao contrário do que eu imaginava, ele não gera tanta água de condensação. No modo de resfriamento, eu precisava esvaziar várias vezes por dia o galão conectado ao dreno, mas, usando o modo seco, houve dias em que ele nem chegou a encher após mais de seis horas de funcionamento. Isso varia de acordo com o aparelho, mas, no meu caso, considerei esse um ponto positivo.
O excesso de umidade dentro de casa pode favorecer a proliferação de bactérias, ácaros e mofo. Nesse sentido, o modo seco do ar-condicionado pode ajudar a melhorar a qualidade do ar e prevenir problemas respiratórios. Além disso, ele ajuda a evitar que a umidade danifique paredes e móveis.
Por outro lado, se você deseja resfriar um ambiente rapidamente ou prefere manter o ar-condicionado em temperaturas mais baixas, o modo de resfriamento é a opção mais recomendada. O mesmo vale para quem mora em regiões de clima seco, onde o uso do modo dry pode ressecar excessivamente o ambiente e causar desconfortos respiratórios ou ressecamento da pele.
Imagens | Xataka Espanha
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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