Shigeru Miyamoto (73 anos), sobre a inteligência artificial generativa: “Mesmo que a IA venha a assumir tudo, sempre haverá um papel para nós”

Miyamoto explicou por que a IA generativa tornará a visão individual de cada criador mais importante

Shigeru Miyamoto (73 anos), sobre a inteligência artificial generativa: “Mesmo que a IA venha a assumir tudo, sempre haverá um papel para nós”
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Fabrício Mainenti

Redator

A Nintendo tem mantido um discurso cauteloso sobre a inteligência artificial generativa, mas isso não significa que seus criadores a ignorem completamente. Shigeru Miyamoto, criador de Mario e Zelda, também refletiu sobre as mudanças que essa tecnologia pode trazer ao desenvolvimento de jogos.

Em vez de rejeitá-la, o criativo da Nintendo preferiu olhar para o passado e relembrar como outros avanços tecnológicos transformaram a forma de trabalhar e colocaram à prova as habilidades dos designers.

Shigeru Miyamoto durante sua aparição perante a imprensa por ocasião da concessão da Ordem da Cultura do Japão. Fonte: Game Watch. Shigeru Miyamoto durante sua aparição perante a imprensa por ocasião da concessão da Ordem da Cultura do Japão. Fonte: Game Watch.

Miyamoto defende o papel do criador diante do avanço da IA

Miyamoto falou à imprensa por ocasião da concessão da Ordem da Cultura do Japão. Além de relembrar sua trajetória, ele respondeu a perguntas sobre o futuro da criação de jogos.

Ao ser questionado sobre a inteligência artificial generativa, o criador de The Legend of Zelda recorreu à sua própria experiência para explicar por que acredita que a visão individual do criador continuará sendo importante diante do avanço imparável das ferramentas de IA generativa.

"Nossa geração viveu um período de rápido desenvolvimento na computação, uma época em que as ferramentas evoluíam constantemente — das máquinas de escrever aos processadores de texto", aponta (via VGC). Na sua visão, esses avanços fizeram com que o talento de cada designer se destacasse ainda mais. 

"Acredito que a IA generativa represente uma mudança semelhante". Para Miyamoto, ter uma ideia não é a mesma coisa que dedicar horas a desenvolvê-la. "Quando você se propõe a criar algo, primeiro estabelece uma estrutura geral e, depois, começa o trabalho manual: preencher lacunas ou definir detalhes".

No entanto, Miyamoto alerta que sentir prazer nesse processo não garante que o resultado será bom. "Embora o ato de criar seja satisfatório por si só, existe um perigo: a pessoa pode encontrar satisfação no trabalho e acreditar, erroneamente, que criou algo de grande qualidade".

É aí que o criativo da Nintendo vê uma oportunidade para a IA generativa. "Quanto mais a IA substituir essas tarefas, mais oportunidades haverá para refletir sobre o que realmente importa".

Para ele, a intenção do autor continua sendo fundamental; por isso, ele ressalta que projetos criados com base em "copiar e colar" "raramente resistem ao teste do tempo". Ele mantém a confiança de que as pessoas continuarão tendo algo a oferecer. Mesmo que a IA "chegue a assumir tudo, sempre haverá um papel que caberá a nós".

E você, o que acha? O que achou desta notícia? Acredita que a IA generativa fará com que criadores com uma visão própria se destaquem ainda mais? Você pode entrar no servidor do Discord da 3DJuegos e compartilhar sua opinião com outros fãs.

Texto traduzido e adaptado do portal 3DJuegos

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