Nos anos 70, a Flórida afundou dois milhões de pneus para criar o maior recife do mundo. Meio século depois, ainda os está retirando do mar um a um

Nos anos 1970, a Flórida despejou milhões de pneus na costa achando que criaria um santuário ecológico, mas gerou um pesadelo ambiental que segue sem solução definitiva

Pneus Florida
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Durante a década de 1970, o estado da Flórida aprovou um ambicioso projeto ambiental para construir o maior recife artificial do mundo. A ideia foi colocada em prática afundando cerca de dois milhões de pneus usados na costa de Fort Lauderdale.

Na época, os idealizadores acreditavam que o plano resolveria o descarte em massa de lixo e criaria um novo santuário marinho no fundo do Atlântico. O que poderia dar errado?

Jogar pneus no fundo do mar: o que poderia dar errado?

A ideia parecia brilhante no papel: criar um recife artificial barato e abundante para atrair vida marinha e impulsionar a pesca esportiva. Em vez disso, o local virou o Osborne Tire Reef, um imenso lixão submarino desgovernado que se espalhou muito além do perímetro planejado e passou a destruir justamente os corais que deveria proteger.

Os pneus não foram simplesmente lançados à deriva: cintas de aço foram usadas para amarrá-los em blocos antes do afundamento. Só esqueceram de considerar o poder corrosivo da água salgada. Em pouco tempo, as amarras se romperam e soltaram milhões de peças no fundo do oceano, empurradas com facilidade por correntes marinhas, tempestades tropicais e furacões.

Captura de tela 4ocean

Livres, esses pneus acabaram colidindo diretamente contra os recifes de corais naturais da região. Empurrados pela força das marés, eles esmagaram estruturas calcárias delicadas que levaram décadas para se desenvolver. Uma iniciativa criada para fomentar a biodiversidade terminou se tornando um desastre ecológico para o ecossistema da Flórida.

Uma faxina submarina que ainda vai durar décadas

Mais de 50 anos depois, a Flórida continua tentando remover os pneus e conter o estrago ambiental. O Departamento de Proteção Ambiental da Flórida (FDEP) reconhece que a operação é tão complexa que levará mais décadas para ser concluída. Desde 2015, equipes de mergulhadores descem para amarrar os pneus manualmente e içá-los até os barcos.

A retirada, contudo, está longe de ser simples. Diversos pneus foram colonizados por organismos vivos e corais ao longo dos anos. Para evitar um impacto ainda pior, os mergulhadores precisam desgrudar cada espécime vivo com muito cuidado antes de puxar a borracha para a superfície, transplantando-os para recifes saudáveis. Em uma única expedição, 700 corais foram resgatados — a maior parte voltou à natureza e uma fração seguiu para estudos científicos.

Mapeamentos feitos entre 2019 e 2024 revelam que ainda restam cerca de 521.000 pneus visíveis sobre o leito marinho, sem cobertura de sedimentos. Para dar fôlego à limpeza, as autoridades locais firmaram um novo contrato em setembro de 2025 no valor de US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 28 milhões), garantindo a continuidade do resgate dessa tragédia ecológica.

Imagens | 4Ocean

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha

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