Um vazamento de dados custa, em média, R$ 7,44 milhões para uma empresa no Brasil. O número é do Cost of a Data Breach 2026, relatório anual feito pelo Ponemon Institute e analisado pela IBM, divulgado em outubro, e é o maior da série histórica no país. Em 2025, a média tinha sido de R$ 7,19 milhões, alta de 3,5% em um ano.
O estudo ouviu 602 organizações no mundo, 42 delas brasileiras, que sofreram algum vazamento entre março de 2025 e fevereiro de 2026. A conta inclui tudo o que o ataque gera: investigar o que aconteceu, consertar os sistemas, avisar os clientes, pagar multas e perder negócios enquanto a casa é arrumada.
Como os criminosos entram?
As duas portas de entrada mais comuns no Brasil empataram, com 16% dos casos cada. A primeira é o phishing, o golpe da mensagem falsa que tenta fazer alguém clicar num link ou entregar uma senha, seja por e-mail, SMS ou ligação. Esse tipo de ataque saiu, em média, por R$ 7,93 milhões.
A segunda é a cadeia de suprimentos: em vez de atacar a empresa direto, o criminoso invade um fornecedor que tem acesso aos sistemas dela. O custo médio, nesse caso, foi de R$ 7,32 milhões.
O setor que mais perde é a saúde, com média de R$ 12,55 milhões por vazamento. Depois vêm tecnologia (R$ 8,96 milhões) e serviços (R$ 8,63 milhões). Segundo Fernando Carbone, líder técnico de Segurança da IBM Consulting Brasil, dados de saúde são "muito sensíveis" e "ajudam muito nas extorsões".
Qual o papel da IA nos ataques?
A IA virou ferramenta dos dois lados. Segundo o relatório, um em cada quatro ataques já conta com ajuda de inteligência artificial, que permite automatizar etapas e procurar falhas em maior escala. No mundo, esses ataques custam em média R$ 35 milhões, cerca de R$ 6 milhões a mais que os outros.
Do outro lado, as empresas brasileiras que usam IA e automação de forma ampla na segurança tiveram um custo médio 30% menor. Sem essas ferramentas, a média sobe para R$ 8,69 milhões. Mesmo assim, só 33% das empresas brasileiras planejam aumentar o investimento em segurança e governança de IA.
"A inteligência artificial tornou a segurança digital uma disputa de velocidade", diz Fabio Roma, especialista em IA e CEO da Impossibl. Para ele, as empresas precisam usar a mesma tecnologia dos criminosos para identificar comportamentos suspeitos e responder rápido. "O desafio não é apenas investir em IA, mas integrá-la a uma estratégia consistente de prevenção."
O que mais reduz o prejuízo?
Fora a IA, três medidas mais simples foram as que mais pesaram no Brasil, segundo o relatório:
- Testes de invasão: contratar especialistas para atacar os próprios sistemas e achar falhas antes dos criminosos economizou, em média, R$ 579 mil por incidente.
- Criptografia: embaralhar os dados para que fiquem ilegíveis se forem roubados poupou R$ 478 mil.
- Gestão de senhas e acessos: controlar quem entra em quê economizou R$ 454 mil.
Já o chamado shadow IT, quando funcionários usam aplicativos sem autorização da empresa, encareceu cada vazamento em R$ 720 mil, em média. E a criptografia, apesar de ajudar, ainda é pouco usada: só 37% das empresas que sofreram vazamento no mundo protegem os dados sensíveis assim.
O relatório também aponta alta de 5% nos ataques de ransomware, o sequestro digital em que os criminosos bloqueiam os sistemas e pedem resgate. Eles já são 39% dos casos, e cada vez mais vêm com a ameaça de divulgar os dados roubados para pressionar a vítima.
E para quem não é empresa?
O dado é corporativo, mas muitas vezes o ataque começa por uma pessoa. Se um dos golpes mais comuns começa com uma mensagem falsa, o cuidado básico vale para todo mundo: desconfiar de pedido urgente, não clicar em link recebido sem conferir de onde veio e ativar a verificação em duas etapas nas contas importantes.
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