Tendências do dia

Europa queria fabricar seus chips avançados no próprio território: a Intel acaba de colocar 5 bilhões e um asterisco na mesa

Europa reforça sua produção avançada de chips, mas ainda não consegue abranger a cadeia completa

Intel
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

2185 publicaciones de Victor Bianchin

A Europa vem tentando há anos ganhar mais peso no mapa mundial dos chips semicondutores. Não se trata apenas de fabricar mais chips, mas de reduzir a dependência de cadeias de suprimentos concentradas fora do continente e recuperar terreno nos processos mais avançados. Os EUA perseguem um objetivo semelhante. Essa corrida industrial resultou em uma situação curiosa: uma das maiores empresas estadunidenses do setor decidiu apostar bilhões de euros para ampliar sua produção em território europeu.

Essa empresa é a Intel, que anunciou nesta segunda-feira, 13/7, um investimento de 5 bilhões de euros (R$ 29 bilhões) para ampliar e modernizar seu complexo em Leixlip, na Irlanda. O objetivo é aumentar a produção dos processadores Xeon 6 e de determinados futuros produtos Xeon fabricados com Intel 3, o processo mais avançado que a empresa produz atualmente na Europa. O movimento, no entanto, ocorre depois de a fabricante cancelar seus projetos industriais na Alemanha e na Polônia. A União Europeia reforça sua produção, mas os detalhes mostram que é preciso relativizar até que ponto essa vitória é realmente completa.

Uma cadeia europeia ainda incompleta

O centro do plano não consiste em construir uma nova fábrica nem em ampliar a sala limpa, mas em equipar melhor a Fab 34, atualizar suas instalações e expandir a rede automatizada que movimenta as bolachas de silício ao longo das inúmeras etapas do processo produtivo. Essa infraestrutura permitirá integrar com mais fluidez os diferentes módulos do campus e aumentar a eficiência do conjunto. A Intel começou a executar o programa no início de 2026, embora não tenha detalhado quando concluirá as melhorias. O resultado esperado é atingir um maior volume de produção com Intel 3 aproveitando o espaço já existente.

A Fab 34 iniciou a produção em larga escala em 2023 e transformou Leixlip no principal centro europeu de fabricação avançada da Intel. A instalação começou operando com Intel 4, utilizado nos primeiros Core Ultra, e depois incorporou o Intel 3 para os processadores Xeon. Ambas as tecnologias utilizam litografia ultravioleta extrema, conhecida como EUV, para gravar estruturas menores e mais complexas nas bolachas de silício. Quando entrou em operação, a Fab 34 tornou-se a primeira fábrica europeia a utilizar essa técnica em produção de grande volume.

Entrada principal do edifício Robert N. Noyce, sede central da Intel em Santa Clara, Califórnia Entrada principal do edifício Robert N. Noyce, sede central da Intel em Santa Clara, Califórnia

O aumento previsto responde, segundo a Intel, a uma maior demanda por processadores para servidores e por infraestrutura ligada à inteligência artificial. Embora as GPUs e os aceleradores concentrem boa parte da atenção, os data centers continuam precisando de CPUs para executar cargas de trabalho gerais, gerenciar recursos e sustentar as plataformas nas quais esses sistemas especializados operam. Os Xeon ocupam justamente esse espaço dentro do portfólio da empresa. Ampliar o volume produzido com Intel 3 permitiria atender melhor esse mercado sem esperar que uma nova fábrica ficasse pronta.

O investimento também ocorre após uma importante reestruturação financeira envolvendo a Fab 34. Em 2024, a Apollo aportou 11,2 bilhões de dólares e adquiriu 49% de uma sociedade conjunta vinculada à produção da instalação, embora a Intel tenha mantido a propriedade e o controle operacional da fábrica. A empresa recomprou essa participação em abril de 2026 por 14,2 bilhões de dólares. Três meses depois, voltou a investir na infraestrutura irlandesa após recuperar 100% dessa sociedade.

A aposta europeia da Intel era muito mais ambiciosa. A empresa apresentou a Fab 34 como uma peça de uma futura cadeia que combinaria a produção de bolachas de silício na Irlanda com duas novas fábricas avançadas em Magdeburgo, na Alemanha, e uma instalação de montagem e testes em Breslávia, na Polônia. Essa estrutura deveria reunir, dentro da União Europeia, várias das principais etapas necessárias para transformar uma bolacha de silício em um processador acabado. Os projetos foram adiados em 2024 e abandonados definitivamente um ano depois, quando a Intel decidiu ajustar seus investimentos à demanda prevista.

É aí que entra o asterisco dos 5 bilhões de euros. A Europa realmente poderá fabricar um volume maior de bolachas de silício avançadas, mas continuará sem dispor de toda a estrutura que a Intel havia prometido construir dentro da UE. A empresa mantém suas principais operações de montagem e testes nos EUA e na Ásia, depois de cancelar a instalação polonesa que deveria realizar essas etapas. Leixlip reduz parte da dependência externa, mas, por si só, não transforma a produção dos Xeon em uma cadeia totalmente europeia.

Imagens | Intel

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio