O neurocientista Ryuta Kawashima afirma que a troca manual de marchas tem "um efeito significativo na manutenção da saúde mental e da função cognitiva"

  • Sim, é o mesmo Kawashima que estrelou diversos títulos da popular série Brain Training, da Nintendo;

  • O câmbio manual está desaparecendo e, com ele, um estímulo cognitivo diário altamente benéfico para o nosso cérebro, segundo o estudo

O neurocientista Ryuta Kawashima afirma que a troca manual de marchas tem "um efeito significativo na manutenção da saúde mental e da função cognitiva"
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Fabrício Mainenti

Redator

Um estudo da Universidade de Tohoku (Japão) quantificou algo que muitos entusiastas do automobilismo defendem há muito tempo por pura paixão. Embora muitos entusiastas afirmem que dirigir um carro com câmbio manual é mais divertido, agora eles podem ter a ciência a seu favor; o estudo sugere que isso também pode ser mais saudável para o cérebro.

Curiosamente, quem faz essa afirmação é o cientista por trás de uma das franquias de videogame mais vendidas da Nintendo.

Treinando nossos cérebros há 20 anos

O estudo é liderado pelo professor Ryuta Kawashima, neurocientista do Instituto de Desenvolvimento, Envelhecimento e Câncer da Universidade de Tohoku. Seu nome será familiar para qualquer pessoa que tenha jogado os títulos da Nintendo que o trazem como protagonista, já que ele foi a mente científica por trás das séries Brain Age e Dr. Kawashima's Brain Training — jogos de "ginástica mental" publicados pela Nintendo entre 2003 e 2020.

O que ele diz sobre câmbios manuais

A pesquisa do neurocientista analisa a atividade cerebral de motoristas que dirigem carros manuais em comparação com automáticos. Ela revela diferenças claras no córtex pré-frontal, a região do cérebro responsável pela memória, tomada de decisões e atenção.

Conforme relatado pelo veículo japonês Best Car Web, Kawashima explica que dirigir um carro manual exige "avaliar a situação e, em seguida, selecionar a marcha ideal; isso impõe uma carga maior às funções cognitivas do cérebro do que dirigir um automático".

Em última análise, selecionar a marcha correta, acionar a embreagem, mover a alavanca e modular o acelerador simultaneamente força o cérebro e o corpo a uma coordenação constante — algo que qualquer pessoa que já deixou o carro morrer enquanto aprendia a dirigir pode confirmar.

Nas entrelinhas

Segundo o professor, esse esforço repetitivo e leve oferece benefícios que vão além do simples prazer de dirigir. Kawashima sustenta que fazer isso regularmente tem "um efeito significativo na manutenção da saúde mental e da função cognitiva".

Assim, trocar de marcha diariamente poderia servir como uma forma de treinamento cerebral de baixa intensidade — aquele tipo de estímulo do qual o cérebro é privado quando o carro faz todo o trabalho por nós.

Qualquer hábito que mantenha o cérebro ativo é benéfico. Em sociedades com populações cada vez mais envelhecidas, como o Japão, esse tipo de estímulo é importante, visto que o declínio cognitivo e a demência estão se tornando questões de saúde pública cada vez mais significativas.

No entanto...

Existe um paradoxo: embora a ciência ofereça argumentos a favor do câmbio manual, esse tipo de transmissão está desaparecendo rapidamente do mercado. No Japão e nos Estados Unidos, ele representa apenas 1% a 2% das vendas de carros novos, segundo dados do próprio estudo.

A ascensão dos veículos híbridos e elétricos, somada à conveniência proporcionada pelos câmbios automáticos, levou a um declínio constante na presença das caixas de câmbio manuais.

A situação é diferente na Europa, embora nós também estejamos caminhando para esse mesmo futuro. Na Espanha, segundo o Motor1, os carros com câmbio manual ainda representam cerca de 41% das vendas — um índice superado apenas pela Itália, com 48%. Assim, pode-se dizer que, na Espanha, ainda mantemos um bom nível de estimulação cerebral ao dirigir.

Imagem de capa | Nils Keesmekers

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