Em julho de 2021, as enchentes em Zhengzhou, na China, deram origem a uma cena que ganhou o mundo: escavadeiras avançando por ruas transformadas em rios para resgatar moradores presos, já que as estradas haviam simplesmente desaparecido. Cinco anos depois, a China enfrenta novamente o mesmo problema, mas, desta vez, a resposta parece saída de um filme de ficção científica.
As chuvas torrenciais atingem há meses as regiões central e sul do país, deixando dezenas de mortos, centenas de milhares de pessoas afetadas e provocando evacuações em massa. Segundo a agência de notícias Reuters, há estradas interrompidas, cidades parcialmente inundadas e equipes de resgate obrigadas a usar embarcações, nadadores e outros meios improvisados para chegar às áreas isoladas.
A emergência ganhou uma nova dimensão quando o tufão Maysak atingiu a região de Guangxi, obrigando a evacuação de mais de 130 mil pessoas e deixando milhares de estudantes ilhados pela água.
As enchentes deixaram uma imagem que se repetiu inúmeras vezes: bairros inteiros onde já não era possível circular por terra. Esse problema levou a China a mobilizar um número cada vez maior de soluções, desde drones capazes de manter as comunicações e transportar cargas até máquinas pesadas adaptadas para avançar em áreas alagadas.
Não se trata de uma estratégia improvisada, mas da evolução das lições aprendidas após desastres anteriores, como as enchentes de Zhengzhou.
Uma gigantesca “criatura” flutuante
Entre todos os recursos empregados, um chamou especialmente a atenção. Diversos veículos de comunicação chineses mostraram um enorme pontão autopropelido usado para evacuar milhares de pessoas quando as estradas haviam desaparecido completamente.
A imprensa chinesa apelidou o equipamento de uma espécie de "porta-aviões de resgate": uma enorme plataforma flutuante capaz de transportar centenas de pessoas de uma só vez para locais onde os veículos convencionais já não conseguem chegar.
Até o momento em que este texto foi escrito, não há fontes independentes indicando que essa plataforma seja um equipamento recém-desenvolvido. Tudo indica que ela deriva dos pontões autopropelidos usados há décadas por engenheiros militares para montar pontes flutuantes e permitir a travessia de rios por veículos pesados.
O aspecto realmente novo parece ser sua adaptação para evacuações civis em larga escala, transformando uma tecnologia militar em uma espécie de gigantesca balsa de emergência.
As enchentes em Guangxi revelaram algo mais importante do que a própria plataforma flutuante. Enquanto boa parte do mundo ainda depende quase exclusivamente de barcos e helicópteros para responder a esse tipo de desastre, a China vem incorporando drones, plataformas anfíbias e grandes sistemas flutuantes para manter uma cidade operacional mesmo quando suas ruas deixam de existir.
Essa "criatura" marinha pode ser a imagem mais impressionante, mas provavelmente representa apenas uma peça de uma estratégia muito mais ampla para enfrentar eventos climáticos extremos, que se tornam cada vez mais frequentes.
Imagem | CCTV
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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