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O carro elétrico do México quebra uma de suas promessas: já não custará R$ 26 mil

Além de mais caro, veículo chegará às ruas mais tarde do que o previsto

Olinia
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O Olinia é um projeto de carro elétrico urbano 100% mexicano e apresentado pelo governo do México em janeiro de 2025. Houve um momento em que ele parecia bom demais para ser verdade: preço de 90.000 pesos (R$ 26 mil), capaz de transportar duas ou quatro pessoas, mais seguro que uma moto e mais barato do que qualquer outra coisa sobre quatro rodas. Esse valor se espalhou pela internet, gerou manchetes e despertou uma enorme expectativa. Hoje, essa promessa já não existe.

Roberto Capuano Tripp, coordenador do projeto, confirmou em um webinar organizado pela Universidade Autônoma Metropolitana que o preço do Olinia ficará em torno de 150.000 pesos mexicanos (R$ 44 mil). A intenção de “baixo custo” se mantém, mas a escala mudou completamente. Capuano colocou em perspectiva: um Kwid, um Aveo ou um March custam entre 220.000 e 290.000 pesos, enquanto o Olinia chegará por menos de 200.000. Isso continua sendo “barato” no segmento, mas já não é o que foi dito antes.

O ajuste de preço não é a única mudança relevante. O Olinia também não estará disponível nas ruas tão cedo quanto muitos esperavam. A presidente Claudia Sheinbaum havia anunciado que o veículo estaria presente na inauguração da Copa do Mundo FIFA 2026, que será realizada na Cidade do México. Isso continua sendo verdade, mas com uma nuance importante: o que aparecerá em junho será um protótipo funcional, não um carro de produção em série. As primeiras unidades prontas para venda não sairão da fábrica antes do primeiro semestre de 2027.

As três versões do Olinia para o mercado mexicano As três versões do Olinia para o mercado mexicano

Por trás desses prazos, há uma equipe de cerca de 70 pessoas que trabalha de segunda a sexta em Puebla, quarta maior cidade do país. Eles vêm do Instituto Politécnico Nacional e do Sistema Nacional de Institutos Tecnológicos, entre outras instituições. Capuano descreveu uma dinâmica que soa intensa: toda semana, dezenas de colaboradores chegam à fábrica e voltam para casa apenas nos fins de semana. O projeto avança, segundo suas palavras, contra o relógio e em tempo real.

Um dos aspectos mais relevantes do Olinia é a bateria. Capuano revelou que o carro já conta com uma fábrica financiada pela Secretaria de Energia, com capacidade para produzir 150 megawatts-hora por turno. A razão dessa decisão é direta: a bateria representa aproximadamente 40% do custo total do veículo. Fabricá-la no México, sob controle próprio, é a chave para manter o preço acessível e para que a tecnologia não fique em mãos estrangeiras.

O Olinia não nasceu para competir com Nissan, Chevrolet e nem Tesla. O veículo tem velocidade máxima de 50 quilômetros por hora, o que não é uma limitação acidental. Esse valor permite simplificar o design e baratear a produção. 69% da população mexicana vive em zonas urbanas, e, para esse contexto, essa velocidade é mais do que suficiente. Não é um carro para estrada. 

Fábrica do Olinia em Puebla Fábrica do Olinia em Puebla

Olinia ainda depende da aprovação de uma regulamentação

Para que o Olinia possa circular legalmente, o México precisa de uma regulamentação que ainda não existe. Desde outubro do ano passado, a equipe apresentou às autoridades uma proposta de norma para miniveículos urbanos, semelhante à categoria L europeia, que regula veículos de duas a quatro rodas. Segundo Capuano, essa norma já está em discussão. Sem ela, o veículo mais inovador do país não poderia ir para as ruas.

O projeto tem uma identidade visual que vale a pena mencionar. O emblema do Olinia é uma lebre com asas. A lebre se explica por sua agilidade e por ser um animal do deserto mexicano. Já as asas são uma referência às figuras míticas e mágicas do imaginário nacional. Capuano diz que já viu como o símbolo fica na dianteira do veículo e que funciona.

Para um projeto que quer romper com tudo o que está estabelecido na indústria automotiva mexicana, esse símbolo faz muito sentido. Ágil, local, com um toque de magia. Isso é, pelo menos, o que o Olinia quer ser.

Imagem | Nano Banana

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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