A Geração Z está desenhando um novo cenário no mercado de trabalho. Sua visão das relações de trabalho é diferente da das gerações anteriores e sua definição de comprometimento agora segue regras que exigem reciprocidade por parte das empresas.
Não é por acaso. Essa geração viu seus pais trabalharem sem parar e, ainda assim, continuarem sufocados pelas contas no fim do mês. Por isso, quando os jovens falam em sucesso profissional, já não pensam apenas no salário, mas também em poder sair do trabalho no horário certo e dedicar tempo à vida pessoal.
Para entender essa mudança, é preciso primeiro olhar para a realidade dessa geração. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego entre os jovens na Espanha ficou em 24,5% no primeiro trimestre de 2026. É quase o dobro da média da União Europeia, que, segundo o Eurostat, está um pouco acima de 15%, mas representa metade dos 42,91% registrados há uma década.
Como destaca o relatório "I Barômetro: Desafios e Aprendizados – Perspectivas dos jovens sobre os desafios da formação e da vida profissional", elaborado pelo Centro Reina Sofía da Fad Juventud em parceria com o Banco Santander, essa pressão está influenciando até decisões tão importantes quanto a escolha do que estudar.
Segundo dados desse relatório, 64,7% dos jovens admitem decidir seu futuro pensando em começar a ganhar dinheiro o quanto antes e não no trabalho que realmente gostariam de fazer. "Quero ter uma estabilidade logo. Isso é urgente para mim porque não quero viver constantemente no limite; quero ter essa estabilidade", afirmou um dos jovens participantes do estudo.
Além disso, seis em cada dez acreditam que há fatores alheios ao próprio esforço que dificultam o avanço na carreira, como a precarização do trabalho, a falta de oportunidades e a pressão econômica, os mais citados. Ainda assim, 67% não cogitam desistir, apesar das dificuldades para progredir profissionalmente, contrariando o estereótipo de que os jovens são desmotivados.
O sucesso ganhou uma nova definição
Partindo desse cenário, os jovens da Geração Z mudaram o significado do que é ter sucesso no trabalho. Antes, isso significava subir de cargo e aumentar o salário a cada poucos anos. Agora, entram na equação o tempo livre, a saúde mental e um ambiente de trabalho que não leve ao esgotamento. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional deixa de ser um benefício extra e passa a ser uma condição básica.
O relatório Workmonitor, da Randstad, aponta uma mudança importante: o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho passou a pesar mais do que o salário na hora de avaliar um emprego. Mais da metade dos entrevistados afirmam que deixariam o cargo caso ele os impedisse de viver além do trabalho.
Segundo os dados do Barômetro, a Geração Z também não está pedindo um milagre, mas apenas orientação para desenvolver suas capacidades profissionais. Cerca de 75,7% querem entender melhor quais são seus interesses antes de decidir a carreira que seguirão, enquanto 74% pedem mais informações sobre as reais oportunidades de trabalho oferecidas por cada opção de formação. Em outras palavras, eles não querem perder tempo cursando uma graduação que os leve a um beco sem saída. Além disso, mais de 73% sentem falta de uma educação financeira básica para administrar o dia a dia.
O resultado de tudo isso é que, no futuro, haverá menos jovens dispostos a sacrificar seu tempo de vida pessoal em troca de um salário um pouco maior e mais empresas que precisarão oferecer ambas as coisas como incentivo se quiserem reter talentos.
Imagem | Unsplash (Vitaly Gariev)
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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