O que significa a frase da economista Olivia para os relacionamentos: “Um teorema de matemática pode te ajudar a decidir se você deve terminar ou não”

A história de Johannes Kepler inspirou uma teoria matemática que hoje é usada como metáfora para explicar por que tomar decisões amorosas pode ser mais difícil do que parece

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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Uma teoria matemática criada há mais de 400 anos voltou a ser assunto nas redes sociais ao ser usada para explicar um dilema bastante atual: como saber a hora de encerrar um relacionamento e seguir em frente? A ideia foi popularizada em um vídeo da economista Olivia Carneiro, que relaciona um famoso problema da matemática às decisões amorosas. Embora a proposta não funcione como uma regra para a vida real, ela mostra como modelos matemáticos e conceitos da economia comportamental podem ajudar a entender a forma como as pessoas fazem escolhas em momentos de incerteza. E tudo começou com uma decisão pessoal do astrônomo Johannes Kepler.

A história de Johannes Kepler virou metáfora para explicar uma teoria matemática

A história começa entre os séculos XVI e XVII com Johannes Kepler, um dos maiores nomes da astronomia. Depois de ficar viúvo, ele decidiu procurar uma nova companheira de uma forma incomum: elaborou uma lista com onze possíveis candidatas e passou a conhecê-las uma por uma antes de tomar a decisão. Nesses encontros, ele conheceu Suzana, a quinta candidata, e considerou-a a melhor opção, mas estava com medo de fazer uma escolha precipitada, então continuou avaliando outras possibilidades. Apenas quando percebeu que poderia perdê-la durante uma longa viagem resolveu oficializar o compromisso.

Independentemente dos detalhes históricos dessa história, ela acabou se tornando uma metáfora para explicar um problema clássico da matemática, conhecido como secretary problem, ou problema da secretária. O desafio parte de uma pergunta simples: quando as opções aparecem uma de cada vez e não é possível voltar atrás, qual é o melhor momento para escolher?

A solução matemática aponta que a estratégia com maior probabilidade de sucesso é observar cerca de 37% das opções sem escolher nenhuma delas. Depois disso, a recomendação seria aceitar a primeira alternativa que seja melhor do que todas as anteriores. Popularmente, essa porcentagem costuma aparecer arredondada para 40%.

O que a economia comportamental diz sobre o medo de fazer escolhas erradas?

Permanecer em um relacionamento ou seguir em frente? A dúvida parece uma questão emocional, mas também pode ser analisada pela forma como o cérebro toma decisões. É por essa razão que essa teoria matemática passou a ser usada como metáfora para os relacionamentos. A economia comportamental, área que estuda como fatores emocionais, psicológicos e cognitivos influenciam nossas escolhas, mostra que as pessoas nem sempre agem de forma totalmente racional, principalmente quando existe a sensação de que uma opção melhor pode aparecer a qualquer momento.

Nesse contexto, o "teorema de Kepler" ganhou destaque nas redes, não porque oferece uma fórmula para encontrar o parceiro ideal, mas porque ilustra um dilema comum na atualidade: em tempos de aplicativos de encontros e inúmeras possibilidades de conexão, muitas pessoas vivem com a sensação de que sempre pode existir alguém melhor. Por outro lado, a matemática, porém, não determina quando alguém deve terminar um relacionamento. O que ela oferece é um modelo para compreender decisões tomadas sob incerteza. Já a economia comportamental ajuda a explicar por que tantas pessoas adiam escolhas importantes.

Na vida real, relacionamentos dependem de vários fatores que nenhum modelo matemático consegue medir completamente, como compatibilidade, comunicação, valores compartilhados e circunstâncias pessoais. Ainda assim, a frase continua chamando atenção porque transforma um conceito complexo da matemática em uma forma diferente de refletir sobre um dilema que praticamente todo mundo já enfrentou: continuar procurando ou valorizar a oportunidade que já apareceu.

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