Tamara Klink parte do Alasca rumo ao Atlântico, e dá para acompanhar a rota dela quase em tempo real

A cada 30 minutos, um veleiro de 10 metros no meio do oceano envia posição, rota, vento e condições do mar para um painel aberto ao público. Entenda como a expedição fica visível de terra firme.

Crédito: Acervo Pessoal
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Vinicius Braga

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Vinicius Braga trabalha há mais de 20 anos com conteúdo digital. Sempre foi um entusiasta da tecnologia e sempre acreditou que inovação não é só sobre máquinas ou códigos, mas sobre pessoas. No Xataka Brasil, usa suas experiências com mídia digital, dados e inteligência artificial para aproximar o público das grandes transformações do mundo tech e mostrar como o futuro já está acontecendo e pode ser acessado por todos.

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A navegadora e escritora Tamara Klink deixou o Alasca em uma nova travessia solitária, e desta vez a viagem vem acompanhada de um painel digital aberto ao público. A plataforma foi desenvolvida pela NTT DATA, empresa de serviços de tecnologia da qual Tamara é embaixadora, e funciona como um diário de bordo com dados atualizados.

Segundo a empresa, o painel mostra a localização da embarcação, a rota já percorrida, a distância navegada, condições meteorológicas e oceânicas e registros escritos pela própria navegadora ao longo do caminho. A atualização acontece a cada 30 minutos, inclusive quando ela está em áreas remotas, sem cobertura de rede convencional.

O ponto no mapa é a parte fácil

Rastrear um veleiro em alto-mar não é novidade. Regatas oceânicas transmitem posições há décadas, e a própria Tamara já mantinha um sistema de tracking em travessias anteriores, com um diário paralelo em texto para quem acompanhava o deslocamento do "pontinho" no mapa.

O que muda aqui é a camada de contexto em volta do ponto. A proposta do painel é reunir vento, clima, rota e distância na mesma tela, para que a posição isolada vire informação legível. Em navegação oceânica, essas variáveis são o que explica quase tudo: um desvio de rota raramente é escolha estética, e sim resposta a uma frente de vento, a uma corrente contrária ou a gelo à deriva.

"O dashboard reúne dados que ajudam a traduzir, de forma simples e visual, as condições que eu irei enfrentar no oceano, como vento, clima, rota e distância percorrida, mostrando os desafios e decisões que fazem parte de uma navegação em mar aberto", diz Tamara Klink.

Falta saber qual é a rota

O comunicado descreve a expedição como uma navegação que ligará o oceano Pacífico ao Atlântico, mas não informa o trajeto. A observação não é preciosismo: em setembro de 2025, Tamara concluiu a travessia solo da Passagem Noroeste, indo da Groenlândia ao Alasca em cerca de 6.500 km a bordo do Sardinha 2, um veleiro de aço de 10 metros. Aquela rota já é, por definição, a que une Atlântico e Pacífico pelo Ártico, e ela se tornou a primeira pessoa da América Latina e a mais jovem mulher do mundo a completá-la sozinha.

Crédito: Acervo Pessoal

Ou seja: uma nova ligação entre os dois oceanos pode significar coisas muito diferentes, de uma descida pelo Pacífico até o Cabo Horn a um retorno pelo Ártico em sentido inverso. Distância, duração e escalas também não foram divulgadas. É o tipo de informação que o próprio painel deve responder na prática, à medida que a linha da rota for se desenhando na tela.

A expedição chega em um momento de alta exposição

A travessia começa logo depois do lançamento de Bom dia, inverno, publicado pela Companhia das Letras em maio de 2026, relato dos oito meses que ela passou sozinha em um fiorde da Groenlândia com o barco preso no mar congelado. A NTT DATA afirma que o livro lidera há semanas a lista dos mais vendidos do país. Nos rankings públicos da Amazon, ele aparece em primeiro em categorias como Memórias e entre os primeiros colocados no ranking geral de livros.

O interesse corporativo pela navegadora também cresceu. Além da NTT DATA, que se apresenta como a marca há mais tempo ligada a ela e diz acompanhá-la desde 2022, a ENGIE Brasil anunciou em junho que Tamara será sua embaixadora ESG e que bancará a descarbonização desta mesma expedição. Ela ainda estrelou uma campanha internacional da Dior neste ano. Vale registrar a assimetria: a navegação é solitária, mas o entorno dela, hoje, é bastante povoado.

Do lado da empresa de tecnologia, o enquadramento é explícito.

"Algumas parcerias vão além do branding. Elas contam histórias", diz Flavia Zannier, diretora de Marketing da NTT DATA. "Em alto-mar, sozinha, enfrentando o Atlântico ou o gelo do Ártico, Tamara nos lembra que inovação não é apenas sobre tecnologia. É sobre coragem, resiliência e capacidade de seguir em frente, mesmo quando não há mapa claro."

O que observar daqui pra frente

Para quem acompanha, o painel resolve um problema real: até aqui, seguir uma travessia como essa exigia juntar posts de rede social, links de tracking e relatos publicados com atraso. Reunir tudo em uma tela só torna a expedição legível para quem não navega.

Duas coisas devem ficar claras nas próximas semanas. A primeira é se o painel se sustenta como registro contínuo, com dados chegando mesmo nos trechos mais difíceis, ou se vira uma vitrine que trava quando a navegação aperta. A segunda é o quanto os números exibidos ali vão além do decorativo, permitindo entender por que ela desviou, por que parou, por que esperou. É nesse ponto que um mapa vira diário de bordo.

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