Há um motivo para a China não lançar mísseis nucleares de seu submarino mais perigoso, mas ela acaba de quebrar essa regra

Isso também confirma que Pequim está disposta a usar testes militares como mais uma ferramenta de dissuasão política e estratégica

Imagem | PLA
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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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A maior força de um submarino nuclear não é seu poder de fogo, mas sim o fato de ninguém saber sua localização. Essa capacidade de permanecer oculto por meses tornou essas embarcações o pilar mais importante da dissuasão nuclear desde a Guerra Fria e explica por que cada movimento relacionado a elas é minuciosamente observado.

Não foi um teste qualquer

A China insistiu que o lançamento fazia parte de seu treinamento anual e que havia notificado previamente os países da região. No entanto, poucas manobras geram tanta atenção quanto o disparo de um míssil balístico de um submarino nuclear estratégico no Oceano Pacífico.

Além disso, foi uma ação praticamente sem precedentes em décadas. Pequim vinha evitando demonstrações públicas desse tipo há anos e, justamente por isso, o teste foi interpretado como uma mensagem direcionada muito além do próprio exercício militar.

Carta nunca revelada

Submarinos de mísseis são o componente mais discreto e valioso de qualquer potência nuclear. Sua principal vantagem reside em permanecerem ocultos por semanas ou meses, garantindo uma capacidade de retaliação mesmo que o país sofra um primeiro ataque.

Essa necessidade de sigilo explica por que a China raramente realizou lançamentos públicos dessas plataformas e por que cada demonstração carrega um enorme peso estratégico.

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Sinal era direcionado aos Estados Unidos

Embora as autoridades chinesas tenham enfatizado que o míssil carregava uma ogiva de treinamento e não era direcionado contra nenhum país, o contexto conta uma história diferente.

Analistas ocidentais acreditam que o teste teve como objetivo demonstrar que os submarinos chineses agora podem lançar mísseis de longo alcance de áreas próximas à sua própria costa e ainda atingir alvos a milhares de quilômetros de distância. Em outras palavras, Pequim queria lembrar a todos que sua capacidade de dissuasão marítima está entrando em uma nova fase de maturidade.

Submarino Tipo 094 Submarino Tipo 094

Doutrina concebida para reduzir riscos

Tudo indica que o lançamento ocorreu em águas protegidas próximas à China, uma estratégia conhecida como "bastion". Em vez de enviar seus submarinos para o meio do Pacífico, a ideia é mantê-los sob a cobertura da força aérea, da frota e dos sistemas nacionais de defesa antimíssil, preservando a capacidade de atacar alvos muito distantes.

Se os novos mísseis JL-2 ou JL-3 tiverem o desempenho previsto pelos analistas, esses submarinos não precisarão mais viajar para longe de casa para atingir o território dos EUA.

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Expansão nuclear continua

Isso ocorre em meio a um processo de modernização das forças estratégicas da China. Pequim está construindo novos silos para mísseis balísticos intercontinentais, implantando gerações mais avançadas de mísseis terrestres e aumentando o número de submarinos nucleares lançadores de mísseis balísticos.

Estimativas do Pentágono indicam que o arsenal da China poderá ultrapassar mil ogivas nucleares antes de 2030, uma transformação que está alterando o equilíbrio militar no Indo-Pacífico.

Pacífico reage com preocupação

Austrália, Japão, Nova Zelândia e Taiwan reagiram criticando um lançamento que consideram desestabilizador para a região, apesar de terem sido previamente notificados. As críticas não se dirigiram apenas ao míssil em si, mas também ao contexto do rápido aumento das capacidades militares chinesas e da presença naval cada vez mais visível no Pacífico.

Para muitos governos, o teste representa um novo passo em uma estratégia de demonstração de força que já incluiu testes de mísseis balísticos intercontinentais e manobras navais cada vez mais distantes da costa chinesa.

A verdadeira novidade não foi o míssil

Sabe-se que a China possui mísseis balísticos capazes de transportar armas nucleares há anos. O que é verdadeiramente inédito é que o país decidiu demonstrar publicamente como um de seus submarinos estratégicos pode usá-los, algo que havia praticamente evitado até então.

Na verdade, a demonstração reforça a credibilidade de sua capacidade de retaliação, força seus rivais a presumir que esses submarinos estão totalmente operacionais e confirma que Pequim está preparada para usar seus testes militares como mais uma ferramenta de dissuasão política e estratégica.

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