Um pouco de carvão na caldeira do velho Fiat e lá vai ele. Com a gasolina a quase 8 dólares (cerca de R$ 41) o litro devido à escassez, este mecânico encontrou uma solução para continuar usando seu carro. Ele converteu seu Polski-Fiat 126 (a versão polonesa do Fiat 126, que mais tarde se tornou o SEAT 133) com um gerador a gás para queimar carvão e continuar rodando.
Em Aguacate, uma pequena cidade a 70 quilômetros de Havana, Juan Carlos Pino, um mecânico de 56 anos, converteu seu carro para funcionar com carvão. Com materiais reciclados e um toque de engenhosidade, Pino construiu um gerador a gás caseiro.
Podem não ter petróleo em Cuba, mas têm ideias
Um tanque de propano adaptado, selado com uma tampa de transformador, armazena o carvão que, ao ser queimado, se transforma em gás combustível. O filtro, feito de uma garrafa de leite de aço inoxidável cheia de trapos velhos, completa o sistema.
Dessa forma, o motor de dois cilindros do carro ganha vida, alimentado por um recurso econômico e facilmente disponível na ilha. Assim convertido, o carro tem uma autonomia de várias horas com uma pequena quantidade de carvão e é capaz de ultrapassar os 80 km/h, segundo seu criador.
A tecnologia por trás do gerador a gás não é nova; na Espanha do pós-guerra e durante a Segunda Guerra Mundial, países como Grã-Bretanha, França e Alemanha a utilizaram amplamente.
Inventado por Georges Imbert na década de 1920, o sistema consiste basicamente em um tanque de combustível, geralmente para madeira ou carvão, e uma caldeira na qual o carvão é queimado com muito pouco oxigênio até que se alcance a combustão incompleta.
Esse processo produz monóxido de carbono, dióxido de carbono e hidrocarbonetos não queimados que, após resfriados, são transferidos para o motor para alimentá-lo.
É uma tecnologia que não era vista desde a escassez da década de 1940 na Europa, mas que, no contexto atual de Cuba, assume um significado especial. A atual crise do petróleo, agravada pela interrupção do fornecimento venezuelano e pelas sanções dos EUA, mergulhou a ilha em uma crise energética sem precedentes. Os apagões são frequentes e a gasolina, quando disponível, atinge preços exorbitantes no mercado negro.
Para Pino, essa invenção é mais do que uma solução temporária: é uma necessidade. "Em tempos como estes, não há outra opção", diz ele. "Mobilidade é fundamental, assim como poder trabalhar a terra". Seu próximo desafio é adaptar um trator, demonstrando que sua engenhosidade não conhece limites.
Imagens | DW
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