Todos nós já ouvimos grilos cantando quando a noite cai. Para a maioria, é apenas mais um som da paisagem, um daqueles ruídos que aparecem assim que tudo fica em silêncio, mas para ecologistas esse "cri-cri" pode contar uma história bem diferente.
A presença de grilos pode ser um sinal de que o jardim ainda mantém as condições necessárias para sustentar a vida. Isso não significa que seja um lugar perfeito ou completamente livre de poluição, mas que ainda oferece abrigo, alimento e as condições que esses insetos precisam para sobreviver e completar seu ciclo de vida.
Os grilos não estão lá porque o jardim é bonito
Grilos não ficam no jardim por acaso. Ao contrário de outros animais que conseguem se adaptar facilmente às mudanças causadas pelas pessoas, eles são especialmente sensíveis às condições ambientais.
Eles precisam de vegetação para se esconder, solos ricos em matéria orgânica, umidade e espaços onde possam se refugiar durante o dia. Eles também sofrem com o uso intenso de inseticidas e herbicidas, pois esses produtos reduzem tanto suas populações quanto as plantas das quais dependem.
Por isso, quando um jardim perde vegetação ou se torna muito artificial, grilos geralmente desaparecem e, quando ainda estão presentes, os ecologistas interpretam isso como um sinal de que esse espaço ainda mantém certa complexidade ecológica.
O "cri-cri" também tem um significado para eles
Embora geralmente associemos isso a noites tranquilas, grilos não cantam porque estão felizes. Os machos produzem esse som esfregando uma das asas contra a outra, um processo conhecido como estridulação.
Com isso, buscam atrair fêmeas e, ao mesmo tempo, alertam outros machos de que esse território já tem um dono. Embora para nós seja um som relaxante, para eles é uma conversa constante relacionada à reprodução e competição.
Os cientistas também aprenderam a ouvir a biodiversidade
Grilos não ajudam apenas a entender o que está acontecendo em um jardim. Eles também podem revelar o quão saudável é um ecossistema. É por isso que os ecologistas os consideram bioindicadores, ou seja, organismos cuja presença ou ausência ajuda a avaliar o estado de um habitat.
E eles não são os únicos: sapos, algumas aves, abelhas e certos líquens também funcionam como uma espécie de "termômetro" ambiental porque reagem rapidamente às mudanças do ambiente.
Foi exatamente isso que pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia encontraram ao analisar gravações noturnas em diferentes áreas urbanas, suburbanas e rurais.
Eles descobriram que lugares com maior diversidade de grilos e katydids também possuíam habitats ecologicamente mais complexos. Em outras palavras, quanto mais espécies conseguiam ouvir, mais sinais havia de que esse ecossistema conservava maior riqueza ambiental.
A coisa mais inesperada apareceu longe da floresta
O estudo analisou 41 locais distribuídos entre áreas urbanas, suburbanas e rurais. O lógico seria pensar que a maior diversidade apareceria nos lugares menos alterados pelas pessoas, mas aconteceu exatamente o oposto.
Os subúrbios eram os lugares onde se registrava a maior diversidade de grilos e katydids; para os pesquisadores, a explicação está no fato de que jardins, árvores e pequenos espaços verdes criam uma combinação de micro-habitats capazes de sustentar diferentes espécies ao mesmo tempo.
Em outras palavras, você não precisa morar perto de uma floresta para ouvir grilos; um jardim urbano com vegetação suficiente também pode se tornar um pequeno refúgio para a biodiversidade. Esse "cri-cri" que se ouve ao anoitecer pode ser uma das pistas de que esse abrigo ainda está funcionando.
Matéria traduzida de Xataka México*
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