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Homem ganha 24 coelhos de presente de Natal em 1859 e desencadeia catástrofe ambiental: eles se reproduziram, chegaram a 200 milhões e se tornaram praga incontrolável na Austrália

Pesquisadores usaram DNA e registros históricos para descobrir como apenas 24 coelhos deram origem a uma das maiores invasões biológicas já registradas

Homem Ganha 24 Coelhos De Presente De Natal Em 1859 E Desencadeia Catastrofe Ambiental
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Natália P. Martins

Redatora

Em 1859, o colono inglês Thomas Austin recebeu 24 coelhos como presente de Natal e decidiu levá-los para sua propriedade, perto de Melbourne, na Austrália. O que parecia uma criação particular acabou se transformando em uma das invasões biológicas mais marcantes da história: em poucas décadas, os animais se espalharam pelo continente e passaram a provocar enormes impactos ambientais e econômicos.

Um estudo genético publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) descobriu que quase toda a população atual de coelhos selvagens da Austrália, estimada em cerca de 200 milhões de animais, descende daquele pequeno grupo levado por Austin.

Os 24 coelhos se multiplicaram em poucos anos

Austin não foi a primeira pessoa a levar coelhos para a Austrália. Os animais já haviam chegado ao continente com a Primeira Frota britânica, em 1788, e pelo menos outras 90 introduções ocorreram nos 70 anos seguintes.

Apesar disso, nenhuma dessas introduções teve o mesmo efeito. Os registros históricos indicam que Austin começou com apenas 24 coelhos em sua propriedade, mas três anos depois eles já eram milhares. Os animais encontraram condições favoráveis para se reproduzir e se espalhar: sem predadores naturais suficientemente eficazes e com grandes áreas disponíveis, a população cresceu rapidamente e avançou para outras regiões.

Coelhos Australia Coelhos se tornaram invasão biológia na Austrália. Foto: Bettann Archive/Getty Images

Invasão provocou impactos que permanecem até hoje

A explosão populacional dos coelhos trouxe consequências para a agricultura e para os ecossistemas australianos. Os animais consomem vegetação, competem com espécies nativas por alimento e podem contribuir para a degradação e erosão do solo.

Os agricultores também enfrentam prejuízos causados pela presença dos animais em plantações e pastagens. Ao longo das décadas, diferentes estratégias foram utilizadas para tentar controlar a população, mas os coelhos selvagens continuam sendo considerados uma das principais pragas da Austrália.

O caso também chamou atenção para um problema maior: uma única introdução de animais pode provocar consequências ambientais que permanecem por gerações.

Para os pesquisadores, a história reforça a importância de medidas rígidas de biossegurança e do controle da entrada de espécies não nativas.

DNA ajudou pesquisadores a rastrear a invasão

Para entender a origem da infestação, pesquisadores analisaram amostras genéticas de coelhos selvagens australianos e compararam os resultados com registros históricos e populações de diferentes regiões.

A análise apontou uma forte ligação entre os animais que dominaram o continente e os coelhos ingleses levados por Austin em 1859. Segundo os pesquisadores, embora diversas populações de coelhos tenham sido introduzidas na Austrália anteriormente, foi aquele grupo específico que deu origem à invasão em larga escala.

“Nossas descobertas mostram que, apesar das inúmeras introduções na Austrália, foi um único lote de coelhos ingleses que desencadeou essa invasão biológica devastadora — cujos efeitos ainda são sentidos hoje”, afirmou Joel Alves, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Oxford.

Coelhos tinham características que ajudaram na sobrevivência

Durante os estudos, os pesquisadores identificaram que os descendentes dos coelhos de Austin apresentavam uma quantidade significativa de ascendência selvagem.

Isso pode ter ajudado os animais a sobreviverem fora de ambientes controlados. Coelhos criados durante gerações para viver próximos aos humanos costumam apresentar características associadas à domesticação, como comportamento mais dócil, orelhas caídas e diferentes padrões de pelagem.

Os animais introduzidos por Austin, por outro lado, tinham características que favoreciam a vida na natureza.

“Se os animais são criados para domesticação, uma das coisas que faltam é o comportamento anti-predador, que é aprendido e também evoluído”, explicou Mike Letnic, coautor da pesquisa e pesquisador da Universidade de New South Wales.


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