Em 1852, topógrafos descobriram que o Everest media exatos 29.000 pés. Eles acharam a cifra mentirosa e inventaram mais dois

Para a equipe que mediu a maior montanha do mundo, a ciência não bastava ser rigorosa... ela também precisava parecer rigorosa.

Pessoas escalando o Everest
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ana-serra

Carolina Rodrigues

Redatora
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Existe um ditado antigo que diz: "À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta". Na ciência do século XIX, a lógica era parecida. Quando um grupo de pesquisadores britânicos terminou de medir o Monte Everest, os cálculos matemáticos cravaram uma altitude exata: 29.000 pés (8.839 metros). 

O problema? A cifra era tão "perfeita" e redonda que parecia um chute preguiçoso, e não o resultado de anos de trabalho duro. Para evitar que as pessoas duvidassem da seriedade do estudo, a equipe tomou uma decisão curiosa: inventou dois pés extras de brinde, publicando que o topo estava a 29.002 pés. 

Uma missão cheia de obstáculos

Hoje em dia, os satélites e o GPS fazem o trabalho pesado, mas medir o tamanho de uma montanha no século XIX era um pesadelo logístico. Os cientistas da época usavam a técnica da triangulação matemática para calcular distâncias e ângulos no terreno. 

Na década de 1850, uma equipe liderada pelo topógrafo George Everest montou acampamento na fronteira entre a Índia e o Nepal para mapear o até então chamado "Pico XV". O matemático indiano Radhnath Sikdar foi o grande cérebro por trás das contas e, em 1852, eles conseguiram confirmar que aquela era a montanha mais alta do planeta. 

Ciência vs. aparência

Documentos históricos e cartas da área de estatística confirmam a história do "ajuste": a média exata obtida nas medições feitas em seis pontos diferentes deu precisamente 29.000 pés. 

Com medo de que a comunidade científica achasse que o número era apenas uma estimativa aproximada, os chefes da missão decidiram dar um visual mais "respeitável" e que parecesse mais preciso ao relatório final. 

O tamanho do Everest hoje

Aquela medição do século XIX chegou surpreendentemente perto da realidade, mas a palavra final sobre o tamanho do Everest está longe de ser única. Conforme a tecnologia avançou, o número foi revisado várias vezes:

  • Meados do século XX: uma nova medição mudou o tamanho para 29.029 pés.
  • Ano de 1999: a National Geographic calculou 29.035 pés.
  • Ano de 2021: após um esforço conjunto das autoridades do Nepal e da China, a altitude oficial foi batida em 29.031,69 pés (8.848,86 metros) acima do nível do mar. 

Por que é tão difícil cravar um número?

Definir a altura exata do Everest não é difícil por falta de aparelhos bons, mas sim porque a própria natureza muda as regras do jogo o tempo todo. 

Para começar, o que deve ser medido: o topo da rocha firme ou a camada de neve que fica em cima dela? A quantidade de gelo muda conforme o vento e as tempestades. 

Além disso, a própria montanha se mexe. O Everest está localizado em uma região de forte atividade tectônica. Em 2015, um forte terremoto deslocou a montanha em alguns centímetros. Outros estudos geológicos mostram que, devido a mudanças em rios próximos, a montanha ganha cerca de 2 milímetros de altura a cada ano. 

Pelo visto, os topógrafos de 1852 não precisavam ter adicionado aqueles dois pés fictícios: a própria Terra se encarregou de fazer o Everest crescer de verdade.

Texto traduzido e adaptado do site Xataka Espanha.

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