Cientistas alertam: a água da Terra está ficando sem oxigênio

Os autores do estudo propõem o oxigênio aquático como um décimo limite planetário

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Tendemos a associar o oxigênio ao ar que respiramos, mas a realidade é que ele também é um componente essencial de todas as águas do planeta, dos oceanos aos rios e lagos. Por isso, é preocupante o alerta feito por uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego.

Em um estudo publicado recentemente, eles demonstram que o oxigênio dissolvido em todas essas águas está caindo drasticamente e que isso pode ter consequências desastrosas. Por esse motivo, defendem que seria recomendável estabelecer o oxigênio aquático como um dos fatores que podem se transformar em pontos de não retorno para o declínio do nosso planeta.

Segundo esses cientistas, a velocidade com que os níveis de oxigênio aquático estão diminuindo é muito preocupante. Isso ocorre por vários motivos. Para começar, pode ser consequência de um excesso de nutrientes conhecido como eutrofização. Os fertilizantes, por exemplo, são muito ricos em nitrogênio, um dos nutrientes mais importantes para o crescimento das algas. Quando elas se proliferam em excesso, tornam a água turva e impedem que a luz do sol alcance adequadamente os organismos fotossintéticos aquáticos. Essa é uma primeira causa da redução dos níveis de oxigênio na água. Além disso, quando essas algas morrem, elas afundam e são degradadas por bactérias que consomem muito oxigênio. Com isso, teremos ainda menos oxigênio disponível.

Por outro lado, a água quente dissolve menos oxigênio do que a água fria. E já sabemos o quanto as águas do planeta têm aquecido nos últimos tempos. Por fim, mudanças no movimento e na ventilação das águas, como as causadas pela construção de barragens, podem dificultar a distribuição do oxigênio na água.

As consequências

A diminuição dos níveis de oxigênio aquático é prejudicial por muitos motivos. Para começar, os seres vivos que respiram diretamente na água podem sofrer claramente com isso. Isso vai desde organismos microscópicos até peixes e tubarões. No entanto, até mesmo os mamíferos marinhos, que sobem à superfície para respirar, sofrem as consequências dessa desoxigenação, já que suas presas mudam de localização e seus habitats são prejudicados.

Por outro lado, muitos processos químicos que ajudam a regular o clima da Terra sofrem os efeitos da desoxigenação aquática. É o caso do ciclo do carbono, por exemplo.

Os nove limites planetários. Os limites planetários são nove cenários com limiares dentro dos quais a humanidade pode continuar se desenvolvendo sem que haja um perigo iminente para o planeta. Quando esses limites são ultrapassados, considera-se que o ponto de não retorno no processo de deterioração da Terra está muito próximo. Esses limites são estabelecidos para as mudanças climáticas, a integridade da biosfera, as mudanças no uso do solo, o uso de água doce, os fluxos biogeoquímicos, a acidificação dos oceanos, o esgotamento da camada de ozônio estratosférico, a carga de aerossóis atmosféricos e as novas entidades, anteriormente conhecidas como poluição química.

Para cada um desses contextos, existe um limite estabelecido que não deveria ser ultrapassado. No entanto, segundo a última revisão sobre o estado desses limites, o limiar já foi superado em sete deles.

Os autores do estudo recém-publicado apontam que o oxigênio aquático também deveria ser considerado um limite planetário. Seus níveis estão diminuindo de forma perigosa e medidas precisam ser tomadas o quanto antes, pois isso afeta os ecossistemas e o clima de maneira muito direta. Se ele recebesse esse “título”, talvez ficássemos mais atentos à sua evolução e fosse possível agir a tempo.

Por enquanto, trata-se apenas de uma proposta. No entanto, diante do cenário atual, é algo que deveria ser levado muito a sério. Falamos das florestas como o pulmão do planeta, mas não podemos esquecer do pulmão aquático. Afinal, foi ali que a vida surgiu primeiro.

Imagens | Magnific

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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