As cidades espanholas estão cheias de uma árvore que cobre tudo de flores e frutos; há uma razão para elas estarem lá

A medicina tradicional chinesa identificou várias propriedades interessantes em partes desta árvore

As cidades espanholas estão cheias de uma árvore que cobre tudo de flores e frutos. Há uma razão para elas estarem lá.
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Fabrício Mainenti

Redator

Se você caminhou pelas ruas espanholas durante as últimas semanas de verão europeu, provavelmente pisou em um tapete denso de pequenas flores branco-creme. A origem dessa chuva de flores de verão é uma figura conhecida no paisagismo urbano, popularmente chamada de "sófora-do-japão" (ou "árvore-pagode-japonesa") e cientificamente conhecida como Styphnolobium japonicum.

Sua utilidade

Se você se pergunta por que as prefeituras de cidades como Saragoça, Barcelona ou Múrcia insistem em plantar essa espécie ao longo de avenidas pavimentadas, a resposta reside em sua extraordinária fisiologia de adaptação. Isso é comprovado por fichas técnicas que a classificam como uma espécie altamente tolerante à poluição urbana.

É uma árvore que resiste bem à poluição do tráfego, às ilhas de calor, à seca e a solos pobres ou muito compactados. Soma-se a isso sua capacidade de proporcionar uma sombra densa durante os meses mais rigorosos do ano, tornando-a uma candidata ideal para o arborizamento de ruas urbanas.

Não é perfeita

O único inconveniente dessa árvore — apesar de sua longa lista de vantagens — é o transtorno causado pela queda abundante de suas flores e, posteriormente, de seus frutos carnosos sobre as áreas de pedestres. Isso pode se tornar bastante incômodo e gerar sujeira nas cidades, exigindo manutenção e limpeza adequadas.

Floração tardia

Enquanto a maioria das árvores urbanas floresce na primavera, a Styphnolobium japonicum reserva sua energia para o verão. Mais especificamente, a floração ocorre durante os meses mais quentes, entre junho e agosto.

Suas pequenas flores, semelhantes às da ervilha (papilionáceas), não apenas criam aquele efeito característico de "tapete" no chão, mas também são muito atraentes para as abelhas. Durante semanas, as copas das árvores ficam repletas de abelhas e outros polinizadores, desempenhando um papel ecológico vital no ecossistema urbano em uma época em que outras fontes de néctar são escassas. 

Seus frutos — vagens constritas que lembram um colar de pérolas — permanecem pendurados nos galhos por muito tempo, prolongando seu apelo ornamental até o inverno.

Uma crise de identidade

Um dos grandes mitos em torno dessa árvore reside em seu nome comum, pois ela não é, na verdade, uma acácia. Quanto à sua origem japonesa, o epíteto específico japonicum foi historicamente enganoso; a árvore não é nativa do Japão, mas sim de regiões do centro e do sul da China. Ela foi introduzida na Europa e no Leste Asiático muito mais tarde, onde se tornou amplamente popular devido às suas características biológicas.

Toxicidade

Nos campos da etnobotânica e da medicina tradicional asiática, diversas partes da árvore são reconhecidas por suas propriedades medicinais; de fato, comprovou-se que ela contém compostos com propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antibacterianas. No entanto, certas partes da árvore — como o fruto cru — são tóxicas; portanto, o seu manuseio deve ficar a cargo da indústria farmacêutica, em vez de ser realizado por meio de remédios caseiros.

Imagem de capa |  Bianka Bécsi 

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