Quando grandes obras de infraestrutura são iniciadas, como a construção de estradas, ferrovias ou novos edifícios, árvores antigas costumam ser derrubadas para abrir espaço. No Japão, porém, algumas das árvores mais importantes do país recebem um tratamento completamente diferente: em vez de serem cortadas, passam por um complexo processo de transplante que pode levar mais de um ano.
A técnica é reservada para exemplares de grande valor histórico, cultural ou ambiental. Muitas dessas árvores estão em templos, santuários, jardins tradicionais, parques ou bairros históricos, onde fazem parte da identidade local há gerações. Por isso, antes de decidir removê-las, autoridades e especialistas avaliam cuidadosamente se vale a pena investir no processo de realocação.
Um processo longo de preservação
A etapa mais importante acontece muito antes de qualquer guindaste entrar em ação. Durante meses, arboristas trabalham discretamente preparando o sistema radicular da árvore. Em vez de retirar todas as raízes de uma só vez, eles fazem podas graduais ao redor do tronco para estimular o crescimento de novas raízes menores, conhecidas como raízes alimentadoras.
Essas raízes são fundamentais para a sobrevivência da planta, pois são responsáveis por absorver água e nutrientes do solo. Ao incentivar seu desenvolvimento antes da mudança, os especialistas reduzem o chamado "choque do transplante", aumentando significativamente as chances de a árvore continuar saudável após ser replantada.
Esse processo recebe o nome de nemawashi, uma palavra japonesa que significa literalmente "dar a volta nas raízes". Originalmente usada na jardinagem, a expressão acabou ganhando um significado muito mais amplo na cultura japonesa e hoje também é utilizada no mundo dos negócios e da política para representar a ideia de preparar cuidadosamente o terreno antes de realizar uma grande mudança.
Sucesso do transplante nunca é garantido
Quando chega o momento da transferência, a árvore é retirada com extremo cuidado. O solo ao redor das raízes é preservado formando um grande torrão, enquanto tronco e galhos recebem proteção para evitar danos durante o transporte. Dependendo do tamanho da árvore, são utilizados guindastes, plataformas hidráulicas e veículos especiais para levá-la até seu novo destino.
No novo local, ela é replantada em um terreno previamente preparado e continua recebendo monitoramento constante. Irrigação, estabilização do tronco e inspeções frequentes fazem parte dos cuidados até que a árvore volte a desenvolver novas raízes e se adapte completamente ao ambiente.
Mesmo com toda essa preparação, o sucesso nunca é garantido. A sobrevivência depende de fatores como espécie, idade, estado de saúde e qualidade dos cuidados após o transplante. Justamente por ser um processo caro, demorado e tecnicamente complexo, ele é reservado apenas para árvores consideradas verdadeiros patrimônios naturais.
Em vez de tratar árvores centenárias como obstáculos para o progresso, o país procura, sempre que possível, incorporá-las ao futuro, preservando parte de sua história viva para as próximas gerações.
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