Pode-se dizer que os jogos no Linux estão vivendo sua era de ouro — pelo menos a julgar pelos dados de participação dos usuários. Jogar "de verdade" no Linux não era realmente uma opção até alguns anos atrás, quando a Valve trabalhou para transformar o Proton em um sistema quase mágico, capaz de rodar (quase) qualquer jogo exatamente como se você estivesse no Windows.
Eles também buscaram impulsionar esse movimento por meio de hardware, com produtos como o Steam Deck (atualmente com um preço elevado) e a recente Steam Machine (que também não escapou da crise de escassez de memória RAM).
Anos atrás, a ideia de jogar no Linux parecia quase uma piada, mas a situação é completamente diferente agora. A prova disso está na mais recente pesquisa de hardware e software da Steam, na qual o Linux ultrapassou a marca de 4% de participação entre os usuários da plataforma da Valve.
Um passo de cada vez
Sim, eu sei — 4% pode parecer totalmente insignificante, mas não é algo trivial quando se considera que, não faz muito tempo, esse número nem sequer chegava a 1%. Agora, jogar no Linux está se tornando gradualmente mais acessível dentro de um ecossistema historicamente dominado pelo Windows; cada décimo de ponto percentual serve como um termômetro para saber se a estratégia da Valve está finalmente ganhando força além do nicho de entusiastas hardcore.
Ver essa participação se estabilizar acima de 4% sugere que as coisas estão começando a funcionar, em grande parte graças ao Proton — a camada de compatibilidade que permite rodar jogos de Windows no Linux, a qual a Valve ajudou a promover, baseando-se nos esforços magníficos da comunidade Wine e da CodeWeavers.
Pesquisa de Hardware e Software do Steam – Julho de 2026. Imagem: Valve
Analisando mais de perto
Os dados dos últimos meses mostram uma trajetória irregular, mas com uma tendência subjacente de alta. O Linux atingiu um recorde histórico de 5,33% em março de 2026, antes de cair para 4,52% em abril, 3,99% em maio e 3,69% em junho. Julho registrou uma recuperação, com uma participação de 4,01%.
A distribuição mensal geral ficou em 93,67% para Windows, 4,01% para Linux e 2,32% para macOS. Como é evidente, o Windows continua sendo a plataforma padrão para jogos de PC.
Dentro dessa fatia de 4% — dividida entre inúmeras distribuições Linux —, o SteamOS responde por aproximadamente 22% do total. Trata-se do sistema operacional da Valve baseado em Linux, presente no Steam Deck, nas Steam Machines e em outros hardwares compatíveis; a empresa recentemente facilitou sua instalação em qualquer PC com gráficos AMD (o suporte para NVIDIA terá de esperar por enquanto).
Logo atrás, aparecem distribuições intimamente ligadas ao universo dos jogos, como o CachyOS (14,31%) — que ganhou força significativa na comunidade Linux nos últimos meses — e o Bazzite (7,73%). Ambas foram projetadas especificamente para maximizar o desempenho em jogos, figurando ao lado de nomes de uso mais geral, como Arch Linux, Linux Mint e Fedora.
A boa notícia é que o crescimento dos jogos no Linux não se limita ao SteamOS; outras distribuições também registraram aumentos notáveis em sua participação de mercado. Isso indica que cada vez mais usuários estão instalando distribuições voltadas para jogos em seus próprios computadores.
Apesar desses números, não há motivo para euforia excessiva. O uso do Linux em ambientes domésticos permanece insignificante quando comparado ao do Windows ou do macOS. Embora exista certo desgaste em relação ao sistema operacional da Microsoft — e possa parecer que o Windows está perdendo fôlego no setor de jogos —, não podemos esquecer sua dominância absoluta em termos de base de usuários.
Consequentemente, ainda há muito caminho a percorrer antes que o Linux possa se tornar, de forma incontestável, uma solução viável para o mercado de massa.
Ver 0 Comentários