Simulações feitas por pesquisadores chineses mostram como uma explosão de pequeno porte, quando ocorre muito próxima de um ponto estrutural crítico, poderia desencadear o colapso de uma ponte suspensa. O estudo analisou uma estrutura semelhante à Ponte do Rio Dimuhe, na província de Guizhou, e avaliou principalmente os cabos de suspensão e as torres de sustentação.
A pesquisa foi publicada em setembro no Journal of Railway Science and Engineering e surgiu em meio às mudanças provocadas pelo uso de drones nas guerras da atualidade. A dimensão do problema fica mais clara quando se olha para a infraestrutura chinesa, que conta com mais de 11 mil pontes consideradas “supergrandes” ou megaestruturas.
Simulação mostrou como um dano localizado poderia afetar toda a ponte
Uma ponte suspensa, visualmente, pode parecer uma estrutura extremamente resistente, e ela realmente precisa ser, mas seu funcionamento depende da distribuição das cargas entre diferentes componentes. Os pesquisadores da Universidade Southwest Jiaotong e do Instituto de Reconhecimento e Projeto de Grandes Pontes Ferroviárias da China quiseram entender o que aconteceria se uma explosão atingisse uma região importante desse sistema.
Para isso, eles construíram um modelo computacional de uma ponte suspensa com vão principal de 538 metros, usando como referência as dimensões da Ponte do Rio Dimuhe, em Guizhou. A simulação considerou elementos como o tabuleiro, os cabos principais, os tirantes e as torres de sustentação. O ponto central do estudo não foi simplesmente descobrir quanta força seria necessária para destruir uma ponte, mas como um dano localizado poderia se espalhar pela estrutura.
Nas simulações, uma explosão muito próxima da região em que o cabo principal se conecta à torre provocou uma sequência de falhas. O rompimento dos elementos de sustentação alterou o comportamento do tabuleiro e, em determinados cenários analisados, levou ao colapso da ponte. Isso explica por que a pesquisa dá tanta importância à precisão do impacto, e não apenas ao tamanho da carga explosiva. O estudo apontou que uma estrutura enorme não é necessariamente igualmente resistente em todos os seus pontos.
Mais de 11 mil megaestruturas fazem da China um caso particular
A simulação analisou a resistência de uma ponte suspensa diante de uma explosão próxima a pontos estruturais críticos, como os cabos principais e as torres de sustentação
O resultado ganha ainda mais relevância quando colocado no contexto da infraestrutura chinesa. O país possui mais de 11 mil pontes classificadas como supergrandes, além de concentrar algumas das maiores, mais longas e mais altas pontes do planeta. Entre elas estão estruturas como:
- Ponte do Rio Dimuhe, usada como referência para a simulação;
- Ponte do Desfiladeiro de Huajiang, também em Guizhou, considerada a ponte mais alta do mundo;
- Ponte sobre o rio Yangtze em Zhangjinggao, em Jiangsu, que deverá se tornar a ponte suspensa mais longa do mundo quando concluída.
A preocupação dos pesquisadores está ligada principalmente à mudança no tipo de ameaça enfrentada por essas grandes infraestruturas. Ataques contra pontes durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, mostraram como essas estruturas podem assumir importância logística e estratégica durante um conflito. O estudo, porém, é uma simulação computacional, e seus resultados não significam que qualquer uma das milhares de pontes chinesas poderia ser derrubada da mesma maneira. Cada estrutura possui características próprias, e a resistência depende do projeto, dos materiais e da configuração dos seus componentes.
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