Ilya Sutskever não é um cientista de inteligência artificial (IA) comum. Ele concluiu sua formação em ciência da computação na Universidade de Toronto, no Canadá, integrando a equipe liderada por Geoffrey Hinton — ganhador do Prêmio Nobel de Física de 2024 e figura fundamental para transformar o deep learning (aprendizado profundo) no que ele é hoje.
Ao lado de Hinton e Alex Krizhevsky, ele desenvolveu a AlexNet, uma rede neural altamente avançada considerada, de forma unânime, um dos projetos que impulsionaram a atual revolução da IA.
Entre 2013 e 2015, atuou como pesquisador no Google Brain; em 2015, deixou o Google para cofundar a OpenAI e assumir o cargo de cientista-chefe. Atribui-se a ele a ideia — proposta naquela época — de que ampliar progressivamente os modelos, aumentando parâmetros, dados e poder computacional, poderia desencadear saltos gigantescos nas capacidades da IA. Essa estratégia abriu caminho para a família de modelos GPT, que inclui o ChatGPT.
No entanto, Sutskever afastou-se gradualmente da própria ideia que havia defendido — a de que a escalabilidade era o principal motor do desenvolvimento — e passou a se preocupar cada vez mais com as possíveis consequências de uma IA altamente avançada que pudesse ameaçar os interesses humanos.
Essa postura o levou a liderar a equipe responsável por alinhar os modelos da OpenAI aos interesses humanos, mas seus esforços logo entraram em conflito com as prioridades de Sam Altman. Sutskever deixou a OpenAI em maio de 2024.
A busca por uma superinteligência segura
Pouco depois de deixar a OpenAI em 2024, Sutskever fundou a Safe Superintelligence Inc. (SSI) ao lado de Daniel Levy e Daniel Gross. O objetivo era desenvolver uma superinteligência segura, cujo processo de criação não fosse comprometido por interesses comerciais.
Inicialmente, tratava-se apenas de uma declaração de intenções, mas, pouco mais de um ano após sua fundação, a SSI captou US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões) — seguido, pouco depois, por mais US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,4 bilhões) — em duas rodadas de financiamento que elevaram o valor de mercado da empresa para US$ 32 bilhões (cerca de R$ 166,5 bilhões).
Sutskever expôs publicamente as linhas gerais do plano da SSI em diversos comunicados oficiais e entrevistas; curiosamente, porém, ele manteve o trabalho propriamente dito sob sigilo quase total até o momento. Ainda assim, um fato objetivo não pode ser ignorado: em 27 de julho, a Nvidia e a SSI anunciaram uma parceria estratégica de longo prazo.
A empresa liderada por Jensen Huang investiu US$ 5 bilhões (cerca de R$ 26 bilhões) na companhia de Sutskever e comprometeu-se a fornecer acesso à sua plataforma Vera Rubin — um sistema que, no papel, é incrivelmente poderoso.
Uma coisa é certa: a Nvidia não teria investido uma quantia tão vultosa sem uma garantia razoável de que o trabalho realizado pela equipe de Sutskever está, de fato, avançando.
Oficialmente, o status do projeto que sustenta a estratégia da SSI permanece desconhecido, assim como a arquitetura da superinteligência artificial em desenvolvimento, os métodos de treinamento envolvidos e a data prevista para a conclusão. No entanto, podemos fazer várias inferências plausíveis com base nas informações disponíveis.
Sutskever reconheceu publicamente, em diversas ocasiões, que seu principal interesse reside em compreender exatamente os mecanismos que desencadeiam o raciocínio, o aprendizado, a compreensão e a generalização; sua hipótese sustenta que ainda não sabemos o que torna a inteligência possível.
De qualquer forma, a SSI busca um caminho alternativo rumo a uma forma de IA muito mais avançada — uma que talvez não se baseie em grandes modelos de linguagem como os conhecemos atualmente.
Não há dúvida de que a Nvidia deseja estar na vanguarda de uma possível revolução — uma que pode estar mais próxima do que imaginamos, mesmo sem sabermos exatamente o que a SSI está desenvolvendo.
Imagem | OpenAI (processada com o ChatGPT)
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