Durante uma onda de calor extremo na China, uma prática pouco convencional voltou a chamar atenção nas redes sociais: moradores estão dormindo abraçados com melões-de-inverno gigantes para tentar aliviar as altas temperaturas durante a noite.
Hábito faz parte da cultura chinesa há mais de 6 séculos
Apesar de parecer uma moda recente, o costume de utilizar melões gigantes para resfriar o corpo é antigo. Essa prática é associada à região de Lingnan e remonta a mais de 650 anos, ainda durante a dinastia Ming, que governou a China entre 1368 e 1644.
Composição do vegetal explica o porquê da prática em dias quentes
Por ser formado por mais de 95% de água, o melão-de-inverno consegue absorver o calor corporal no contato direto com a pele. Apesar disso, o efeito é localizado e temporário: ele retira calor principalmente da região do corpo que está em contato com sua superfície.
A água tem alta capacidade térmica, ou seja, consegue absorver uma grande quantidade de calor sem esquentar rapidamente. Por isso, como o melão é formado principalmente por água, ele consegue retirar parte do calor da pele e proporcionar uma sensação de frescor por algum tempo.
O próprio melão também pode apresentar uma temperatura superficial inferior à do ambiente. Segundo as informações divulgadas sobre a prática, a diferença pode chegar a 3 °C a 5 °C, dependendo das condições.
Melões-de-inverno também são conhecidos como abóboras d'água e podem chegar a 20 ou 30 kg. Foto: Reprodução/China News
Melão virou "ar-condicionado" natural e faz parte da culinária chinesa
O melão-de-inverno é bem diferente dos tipos de melão mais conhecidos no Brasil. Em vez da fruta pequena, adocicada e geralmente consumida fresca, trata-se de um vegetal de grandes dimensões, com casca verde-escura e polpa de sabor neutro.
Na culinária chinesa, ele costuma ser utilizado em preparações salgadas, como a tradicional sopa Dong Gua Tang. Alguns exemplares do vegetal podem alcançar o tamanho de uma criança pequena e pesar mais de 20 kg.
Nas redes sociais, compartilharam imagens abraçados aos vegetais durante a noite. Até mesmo animais de estimação aparecem usando melões gigantes como travesseiro.
Animais também praticam o hábito em dias muito quentes. Foto: Reprodução/United Daily News
Melões podem "explodir" se forem danificados
Apesar da comodidade, o método, se não preparado da forma correta, pode acabar em um problema bastante desagradável. Alguns chineses relataram que seus melões-de-inverno acabaram explodindo depois de várias noites de contato, liberando um líquido com forte odor de decomposição.
Segundo Ao Qingyan, especialista em agricultura da Academia de Ciências Agrícolas e Florestais de Chengdu, o contato repetido com o corpo pode danificar essa camada protetora. Com a superfície comprometida, microrganismos conseguem penetrar no vegetal e acelerar sua decomposição.
Esse processo produz gases e líquidos durante a deterioração do vegetal. Se a pressão interna aumentar e a estrutura da casca estiver enfraquecida, o melão pode acabar se rompendo.
Por isso, a recomendação para o uso é observar regularmente a superfície do vegetal. Alterações na casca, amolecimento, vazamentos ou cheiro desagradável são sinais de que ele deve ser descartado.
Imagens de capa: Reprodução/World Journal
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