Uma embarcação pediu ajuda perto do superiate de Mark Zuckerberg. O que aconteceu depois é difícil de explicar

Uma pequena embarcação ficou sem combustível nas águas do Alasca; o Launchpad estava na região, mas há versões conflitantes sobre sua resposta

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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No sudeste do Alasca, uma pequena embarcação de 21 pés e um superiate de 118 metros acabaram compartilhando a mesma história. A primeira havia ficado sem combustível. O segundo era o Launchpad, ligado a Mark Zuckerberg. Essa diferença de escala basta para entender por que o episódio chamou a atenção, mas não para explicar o que aconteceu. Para isso, é preciso acompanhar o rastro das comunicações, os movimentos das embarcações e as versões que surgiram depois. Vejamos.

Às 21h32 de 3 de agosto, a Guarda Costeira recebeu por VHF a chamada da embarcação perto de Point Highland. Ela havia ficado sem combustível, mas, após avaliar a situação, o órgão determinou às 21h56 que ela não estava em situação de perigo e fez um pedido de assistência a outras embarcações da região. A distinção será importante mais adiante: a Guarda Costeira não havia classificado o caso como uma situação de socorro. O que aconteceu depois daquele aviso é justamente o ponto em que os relatos começam a divergir.

O pedido de assistência foi feito às 21h56 e, pouco mais de uma hora depois, o Wilderness Legacy chegou até a embarcação, às 22h58. Posteriormente, rebocou a embarcação até Farragut Bay, onde ela ficou fundeada com segurança por volta das 0h50 de 4 de agosto. Os dados de rastreamento analisados pelo Alaska Beacon e pelo Halifax Shipping News situavam o Launchpad mais perto da embarcação do que o navio de cruzeiro. O superiate reduziu a velocidade e parou enquanto o Wilderness Legacy continuava em direção a ela.

A história mudou de rumo quando Michael Love, passageiro do Wilderness Legacy, contou que o capitão havia explicado a bordo que a Guarda Costeira havia entrado em contato com o Launchpad e que ele não havia respondido, apesar de estar mais perto. Segundo seu relato, a reação entre os passageiros foi de vaias. Essa versão ajuda a entender por que o episódio ganhou tanta atenção, mas não basta para transformar a acusação em um fato comprovado: nenhuma gravação do tráfego de rádio que permita verificar o que a tripulação realmente recebeu e como respondeu foi tornada pública.

A outra versão

O entorno de Zuckerberg oferece uma explicação diferente. Brian Baker, porta-voz de Zuckerberg e Priscilla Chan, afirmou que os dois e sua família não estavam a bordo do Launchpad e que a tripulação operava em outro canal de rádio. Quando verificaram a comunicação da Guarda Costeira, diz ele, a assistência já estava em andamento. O canal 16 é a frequência internacional de socorro, segurança e chamada, embora isso não seja suficiente para concluir que o iate tenha descumprido uma obrigação de escuta ou ignorado deliberadamente o aviso.

Há uma nuance que muda a interpretação do caso: a Guarda Costeira havia determinado que a embarcação precisava de assistência, mas não estava em situação de perigo. Os especialistas em direito marítimo consultados pela AP explicam que essa classificação é determinante para a obrigação legal de prestar socorro. Neste caso específico, eles consideram que a tripulação do Launchpad não estava legalmente obrigada a intervir como estaria diante de pessoas em perigo, embora isso não impeça discutir se seria razoável esperar que prestassem ajuda.

A pergunta continua em aberto. Depois de acompanhar os movimentos, ouvir as duas versões e verificar quais eram as obrigações de fato, resta um ponto que nenhuma fonte pública conseguiu esclarecer. Não sabemos com certeza qual comunicação a tripulação do Launchpad recebeu nem se houve uma recusa consciente em intervir, porque nenhuma gravação que demonstre isso foi tornada pública. Sabemos, sim, que outra embarcação acabou prestando ajuda. Entre esses dois extremos está justamente a parte da história que, por enquanto, ninguém conseguiu explicar completamente.

Imagens | Meta, Euthman

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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