Drones ucranianos estão se deparando com algo estranho na linha de frente: "regimentos de deficientes" supostamente enviados pela Rússia

Acúmulo de relatos gerou até mesmo uma expressão macabra nos círculos militares russos: "regimentos de deficientes"

Imagem | CCTV
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Há quatro anos e meio, a Rússia vem alimentando uma guerra de desgaste que, segundo a última estimativa do CSIS, já lhe custou cerca de 1,4 milhão de baixas, entre mortos, feridos e desaparecidos. Manter a ofensiva exige um fluxo constante de homens e, cada vez mais, surgem relatos, vídeos e informações, inclusive de círculos militares russos, sobre uma consequência extrema dessa necessidade: soldados que ainda estão feridos, têm sérias limitações físicas ou simplesmente precisam de muletas estão sendo enviados de volta a posições letais.

Homens, fuzis, coletes à prova de balas e muletas

A Forbes relatou que um dos casos mais extremos surgiu em maio de 2026. Sergei Aleksandrovich Pisarchik, um soldado de 50 anos da 69ª Divisão de Fuzileiros Motorizados da Rússia, enviou à sua família um vídeo final no qual aparecia ao lado de outros cinco soldados deficientes sendo enviados para o combate, de acordo com o canal russo anti-guerra Mobilization News.

Alguns caminhavam com muletas, e os seis carregavam três coletes à prova de balas e dois fuzis automáticos. Este não é o único indício: vídeos da linha de frente mostraram repetidamente drones ucranianos encontrando soldados russos avançando com muletas, bengalas ou com evidentes problemas de mobilidade.

"Regimentos de deficientes"

As denúncias não se limitam à Ucrânia. Em novembro de 2025, o canal militar russo Irmãos de Armas publicou depoimentos de soldados do 51º Exército que alegavam que homens parcialmente recuperados estavam sendo enviados de volta à linha de frente sem licença ou rodízio, enquanto outro comandante teria ordenado que um homem ferido fosse equipado com uma muleta e enviado para a linha de frente.

Anastasia Kashevarova, blogueira russa pró-guerra e ex-assessora do Presidente da Duma, já havia relatado casos semelhantes em 2024, incluindo a tentativa de enviar um voluntário de volta à frente com estilhaços alojados perto da medula espinhal, pernas paralisadas e graves problemas de pressão arterial. O acúmulo de depoimentos deu origem a uma expressão macabra nos círculos militares russos: "regimentos de deficientes".

Missão suicida

Mykola Melnyk, ex-oficial da 47ª Brigada Mecanizada da Ucrânia, afirma que há um uso ainda mais sinistro por trás disso. Ele relatou que grupos de soldados feridos ou incapacitados são enviados em direção às posições inimigas para provocar uma reação dos drones e posições de tiro ucranianas. Dessa forma, quando atacados, as forças russas podem observar de onde os drones decolaram ou de onde vieram os tiros, tentar neutralizar essas posições e, em seguida, enviar infantaria em melhores condições.

Pior ainda, eles também podem servir como distração enquanto outros soldados atravessam terrenos expostos. É claro que essa acusação é difícil de verificar e não nos permite afirmar que todos os feridos são usados ​​dessa maneira, mas se encaixa em um problema amplamente documentado durante a guerra: o enorme custo humano dos pequenos grupos de assalto usados ​​pela Rússia para penetrar as linhas ucranianas.

Problema não termina com a sobrevivência

Porque a guerra com drones transformou vastas áreas próximas à frente de batalha em espaços onde qualquer movimento pode ser detectado e atacado, forçando os soldados a se deslocarem rapidamente entre posições, buscarem abrigo e evacuarem quando descobertos. Isso revela uma vulnerabilidade fundamental para aqueles que são destacados com graves problemas de mobilidade: se você precisa de muletas, não está apenas menos preparado para atacar, mas também para se dispersar, se abrigar ou recuar.

Relatos russos de soldados feridos que não são evacuados e são enviados de volta para a linha de frente adicionam outra dimensão ao problema. Em um campo de batalha onde a sobrevivência depende cada vez mais de se mover antes da chegada do próximo drone, a incapacidade de recuar pode ser tão perigosa quanto o próprio ataque.

Homens para alimentar “muralha de drones”

Alternativamente, a explicação subjacente reside nas baixas e na necessidade de manter uma ofensiva permanente sem ordenar outra mobilização geral — uma decisão politicamente muito mais arriscada para o Kremlin. Analistas e blogueiros russos também descrevem uma cadeia de comando na qual alguns oficiais exageram seus avanços para seus superiores e depois precisam de fato conquistar o território que já alegaram controlar no papel.

No final de 2025, por exemplo, comandantes russos informaram Putin sobre a captura de Kupiansk quando a Ucrânia ainda controlava uma parte significativa da cidade. Essa pressão descendente ajuda a explicar um sistema em que a chave é ter homens suficientes para continuar lançando pequenos grupos contra posições ucranianas, mesmo que alguns estejam exaustos, feridos ou fisicamente incapacitados.

Guerra chega aos hospitais

O ex-soldado britânico Shaun Pinner, que lutou ao lado da Ucrânia e foi capturado em Mariupol em 2022, descreveu o processo como uma forma de "reciclar" os feridos: esvaziar leitos hospitalares e preencher unidades de assalto permite manter os níveis de tropas sem reconhecer a extensão do desgaste causado pela remobilização. O custo é ter soldados cada vez menos preparados, motivados e fisicamente capazes de cumprir as missões que lhes são designadas.

Após um número estimado de 1,4 milhão de baixas, a Rússia continua a encontrar homens para prosseguir com seu lento avanço na Ucrânia. Alguns, segundo relatos de dentro de suas próprias fileiras, estão retornando à parte mais perigosa da guerra antes mesmo de terem recuperado a capacidade física para voltar.

Imagem | CCTV

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