A epidemia de Ebola mais rápida da história avança tão agressivamente que nem a ciência consegue ter tempo de detê-la

Até o momento não existem vacinas ou tratamentos eficazes para detê-la

(reprodução)
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Bárbara Castro

Redatora

A África enfrenta uma crise de saúde de proporções históricas que começou com um alerta na República Democrática do Congo e em Uganda e evoluiu, em poucas semanas, para o surto de Ebola que mais cresce já documentado. Organizações internacionais já não falam mais de uma ameaça potencial, mas de uma "epidemia sem precedentes" impulsionada por uma cepa para a qual, até hoje, a medicina moderna não possui nem vacina nem tratamento específico aprovado, que é o vírus Bundibugyo.

A situação é tão crítica que, em 17 de maio de 2026, o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde declarou uma emergência de saúde pública de interesse internacional. Desde então, os dados só pioraram, despertando temores de reviver, ou até mesmo superar, o cenário catastrófico da grande epidemia da África Ocidental de 2014-2016.

Se há algo que caracteriza esse surto, é a velocidade impressionante da transmissão. De acordo com os dados mais recentes de meados de agosto do CDC e da OMS, há mais de 5.021 casos confirmados e 2.378 mortes na República Democrática do Congo. Mas o problema é que o vírus se espalhou por 49 zonas de saúde distribuídas em cinco províncias diferentes.

No caso de Uganda, os números não são tão altos, já que há "apenas" 20 casos confirmados e duas mortes. Juntos, isso eleva a taxa de letalidade entre 44% e 47%.

Esses números fazem desta crise oficialmente o segundo maior surto de Ebola registrado na história, atrás apenas do de 2014. O Instituto Nacional Holandês de Saúde Pública apontou no início de agosto que, desde meados de julho, o número de pacientes e mortes praticamente dobrou.

O vírus Ebola não é um único, mas pertence a um gênero em que várias espécies diferentes coexistem. Neste caso, os esforços da ciência para encontrar novos tratamentos estão focados na espécie do ebolavírus do Zaire, a mais comum e letal. 

O problema é que o surto atual é causado pelo ebolavírus Bundibugyo, que, como explicado, é um dos grandes dramas científicos e logísticos enfrentados pelas equipes médicas no local, já que não há vacina ou tratamento antiviral aprovado para essa variante. Neste caso, o sistema de saúde combate o vírus cegamente, baseando-se unicamente no isolamento do paciente, suporte de terapia intensiva e medidas clássicas de contenção.

Análises epidemiológicas de organizações como o Africa CDC projetam cenários muito preocupantes, já que modelos quantitativos alertam que, se o isolamento dos casos e o rastreamento de contatos não forem drasticamente intensificados, a magnitude dessa epidemia pode alcançar a da grande crise na África Ocidental.

Plataformas de vigilância genômica, como a GenomicEpi, em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do Congo, mostram curvas de infecção com uma verticalidade nunca antes vista em surtos anteriores no mesmo intervalo de tempo. A OMS já alertou, segundo a Al Jazeera, que, se esse ritmo continuar, o surto atual está a caminho de se tornar o mais mortal já registrado.

Matéria traduzida de Xataka*

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