Uma cidade subterrânea feita de sal? Por mais improvável que pareça, essa anomalia da natureza realmente existe. Localizada a poucos quilômetros de Cracóvia, na Polônia, a Mina de Sal de Wieliczka, conhecida como catedral subterrânea, é um espaço gigantesco, com 245 quilômetros de túneis distribuídos por nove níveis que alcançam mais de 300 metros de profundidade. Considerada uma das minas de sal mais antigas do mundo, ela acabou se transformando em um dos pontos turísticos mais impressionantes da Europa e é reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1978.
Wieliczka: conheça a origem da mina que transformou sal em um dos maiores tesouros da Polônia
A origem de Wieliczka é muito mais antiga do que a presença humana na região. Há cerca de 13,5 milhões de anos, um mar que ocupava parte da Europa começou a recuar devido ao movimento das placas tectônicas. Esse processo deixou enormes depósitos de sal sob a região localizada próximo às Montanhas Cárpatos, a segunda maior cordilheira da Europa, estendendo-se por países como República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Romênia, Ucrânia, Hungria e Sérvia. Foi essa formação geológica que deu origem a uma das maiores reservas naturais de sal da região que acabou originando a Mina de Sal de Wieliczka.
Milhares de anos depois, grupos pré-históricos já exploravam esse recurso abundante. Evidências arqueológicas encontradas nos arredores revelaram ferramentas neolíticas utilizadas para retirar salmoura de fontes naturais. A água salgada era fervida até evaporar, restando apenas o sal, um produto considerado super valioso na época por ser essencial tanto para a alimentação quanto para a conservação de alimentos.
Quando essas fontes naturais começaram a secar entre os séculos XI e XII, a solução foi escavar poços cada vez mais profundos. E foi assim que nasceram as minas de Wieliczka, que permaneceram em atividade durante centenas de anos e se consolidaram como uma das operações de mineração de sal mais antigas do mindo. A extração só foi encerrada em 1996, quando o complexo passou a funcionar exclusivamente como atração turística.
Capelas, esculturas e quilômetros de galerias transformaram a mina em uma cidade subterrânea
Representação da Última Ceia esculpida em sal
Olhando para Wieliczka hoje, dá para imaginar o quão impressionante é essa cidade abaixo da superfície. O local reúne aproximadamente 245 quilômetros de galerias distribuídas por nove níveis subterrâneos, chegando a cerca de 327 metros de profundidade. Ao longo do percurso, é possível encontrar câmaras, lagos subterrâneos, museus e espaços surpreendentes pelo nível de detalhes.
O principal símbolo da mina é a Capela de Santa Kinga, conhecida também como Santa Cunegunda, considerada uma das obras mais importantes do complexo. Localizada a cerca de 101 metros abaixo do solo, ela foi escavada pelos próprios mineiros diretamente nas paredes de sal. O ambiente possui altares, relevos religiosos, lustres e esculturas esculpidas no próprio sal, incluindo uma representação da Última Ceia, de Leonardo da Vinci, e uma estátua do papa João Paulo II.
Por dentro da Capela de Santa Cunegunda
Foi essa combinação entre engenharia, arte e história que transformou Wieliczka em uma referência mundial. Ao longo dos anos, o local recebeu turistas famosos, como o astrônomo Nicolau Copérnico, o escritor Johann Wolfgang von Goethe e o naturalista Alexander von Humboldt. Hoje, o local é considerado um dos patrimônios históricos e geológicos mais importantes da Europa.
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