Nem hotel, nem condomínio: família chinesa constrói prédio de 15 andares só para eles e o motivo surpreende

Necessidade urbana e valores familiares levam quatro gerações a viver juntas em prédio no vilarejo de Zhuyuan

Prédio De 15 Andares China da família Zhou. Créditos: Mothership
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A sociedade chinesa valoriza profundamente a estrutura e a união familiar, colocando a família no centro da organização social, da cultura e, em muitos casos, das decisões práticas do cotidiano. Essa visão tem raízes no confucionismo,  um sistema ético, filosófico e político milenar originado na China, que estabelece normas de conduta tanto para a família quanto para o governo, promovendo a convivência entre gerações, a responsabilidade coletiva e a preservação da unidade familiar como base da sociedade.

Foi dentro dessa lógica que uma família chinesa decidiu construir um prédio inteiro para uso próprio. Localizado no vilarejo de Zhuyuan, na província de Fujian, o edifício é o mais alto da região, destacando-se nitidamente entre as construções vizinhas, que não ultrapassam seis andares. O caso ficou conhecido em 2016, quando passou a circular nas redes sociais e na imprensa internacional: quatro gerações da mesma família passaram a viver juntas em um prédio residencial de 15 andares, construído exclusivamente para abrigar mais de cem parentes no mesmo endereço.

Família chinesa constrói edifício gigantesco para abrigar quatro gerações

Já imaginou que delícia morar no mesmo prédio que sua avó, ou melhor ainda, com a sua obāchan? Essa ideia de proximidade entre gerações ajuda a entender a escolha feita pela família chinesa de Zhuyuan. Conhecida pelo sobrenome Zhou, a família decidiu construir um edifício inteiro para si não por um plano grandioso, mas por necessidade. Com o passar do tempo, as antigas casas familiares foram sendo demolidas, enquanto o número de parentes que desejavam permanecer próximos continuava a crescer. 

O espaço limitado tornou inviável dividir o terreno e construir residências separadas. Além de reduzir a área disponível para cada núcleo familiar, essa opção fragmentaria o patrimônio comum e dificultaria a convivência entre os membros da família. Dessa forma, a construção de um edifício único surgiu como uma alternativa coletiva para preservar o endereço familiar e manter a proximidade entre gerações.

Cerca de 20 membros da família reuniram recursos e solicitaram à prefeitura uma área de aproximadamente 200 metros quadrados para construir uma residência vertical que abrigasse a todos. O projeto levou cerca de dez anos para ser concluído e resultou em um prédio com 22 apartamentos, com duas unidades por pavimento. 

Como é de se imaginar, a estrutura foi pensada para atender às necessidades de uma família grande e dispersa. Por isso, ele contém garagens subterrâneas, elevadores e um térreo multifuncional, que deixou de ter uso comercial para se transformar em área de armazenamento de alimentos e espaço de convivência para crianças. O mais legal é que,  durante datas festivas, como o Ano Novo Lunar, o prédio ganha um novo ar, com corredores cheios, malas espalhadas e o cheiro de comida caseira que marcam o retorno dos parentes que trabalham em outras cidades.

Um condomínio sem síndico: gestão familiar, tradição e convivência multigeracional

Apesar de parecer um condomínio moderno visualmente, com 15 imponentes andares, o edifício não funciona como um empreendimento imobiliário convencional. Não há síndico, administradora ou regras formais registradas. A gestão é totalmente familiar, baseada em acordos entre eles, tradição e disciplina coletiva.

As despesas, normas de convivência e decisões cotidianas são definidas entre os próprios moradores. Esse modelo reduz conflitos por espaço, mantém o patrimônio unificado e reforça a convivência entre avós, pais, filhos e netos, algo que, historicamente, sempre foi idealizado na cultura chinesa, mas que se tornou mais difícil nas cidades modernas.


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