A pré-temporada da Fórmula 1 funciona quase como um indicador da predisposição atitudinal humana. Nada melhor para entender se alguém é otimista ou pessimista por natureza do que ouvir o que essa pessoa pensa sobre o desempenho da Aston Martin na temporada de 2026, com base nas poucas voltas que Fernando Alonso deu com o AMR26.
A verdade é que é impossível tirar conclusões com base no pouco que vimos, nem boas nem ruins. Alonso não foi o mais rápido, nem o motor se despedaçou, mas existem dados que nos permitem ter uma ideia de onde o AMR26 está, e na Aston Martin a opinião é bem clara: "Este carro está em outro nível".
Aston Martin rodou com limitações de motor em Montmeló
66 voltas em um shakedown em Barcelona e já temos metade dos fãs de Alonso comemorando o terceiro campeonato mundial e a outra metade lamentando mais uma temporada desastrosa. A realidade, em termos gerais, não é nem uma coisa nem outra. A Aston Martin está atrás de seus rivais, então simplesmente ainda está em uma fase preliminar de testes.
Mas existem dados que falam por si. Por exemplo, a Aston Martin não ultrapassou os 300 km/h nos testes de Barcelona, e não o fez porque correu com limitações para avaliar o novo motor Honda. A Mercedes atingiu 347 km/h e a Red Bull chegou a 344 km/h. Uma diferença drástica nas duas longas retas de Montmeló.
Além disso, a Aston Martin nem sequer utilizou o novo dispositivo aerodinâmico ativo, o DRS dianteiro. Dá a impressão de que estava na asa traseira, embora não haja nenhum encaixe que garanta que foi ativado.
Com todas essas limitações, e numa fase tão preliminar do projeto, os tempos da Aston Martin não foram ruins. Na verdade, eles nem sequer eram a equipe mais lenta, um prêmio que a Cadillac conquistou com um motor Ferrari que, de fato, estava funcionando. Na Aston Martin, eles permanecem convictos de que o primeiro carro de Adrian Newey "está em outro patamar".
Visualmente, é o carro mais distinto do grid. A grande questão é o que acontecerá quando esse motor Honda puder funcionar sem limitações. Há também rumores sobre uma possível invenção de Newey na asa dianteira, com um sistema de ativação aerodinâmica elétrica ativa, em vez de um hidráulico, o que reduziria o peso.
A realidade é que a Aston Martin ainda é a grande incógnita da Fórmula 1, e continuará sendo pelo menos até 11 de fevereiro no Bahrein. Até lá, qualquer demonstração de otimismo ou pessimismo excessivo diz mais sobre si mesmo do que sobre o que aconteceu na pista.
Imagens | Fórmula 1
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