Uma casa vazia, um homem morto e uma identidade que teria continuado sendo utilizada em documentos oficiais durante anos. O que começou como uma visita policial para checar o estado de saúde de um morador da Flórida terminou em uma investigação por suspeita de fraude relacionada à sua residência.
O protagonista é Brian Louis Sguros, um policial de Lauderhill que encontrou o corpo de Dennis West, de 71 anos, em julho de 2022. Segundo informações publicadas pela Local 10, semanas depois ele começou a ocupar a casa e, supostamente, utilizou os dados pessoais do falecido para realizar trâmites relacionados ao imóvel; em outubro de 2026, foi preso e agora enfrenta várias acusações.
O policial começou a ocupar a casa semanas após a morte
Em 11 de julho de 2022, Sguros foi com outros agentes até a casa de West. Uma vizinha havia solicitado uma checagem de bem-estar porque não o via há aproximadamente duas semanas. Os policiais encontraram o corpo do homem, e a perícia médica determinou que ele havia morrido de causas naturais relacionadas a uma doença cardiovascular.
Pouco depois, Sguros teria começado a se envolver nos assuntos do falecido. Segundo os investigadores, ele se apresentou ao escritório do médico legista como amigo de West e afirmou que ele não tinha familiares vivos. No entanto, as autoridades identificaram posteriormente familiares e herdeiros legais.
Em documentos judiciais, Sguros reconheceu que tomou posse da residência por volta de 1º de agosto de 2022. O policial argumentou que o imóvel estava deteriorado e que queria evitar que outras pessoas o invadissem; também afirmou ter investido cerca de 214 mil dólares do próprio bolso para limpar, proteger e reformar a casa durante os dois anos e meio seguintes.
Os documentos sob investigação continham dados do falecido
A investigação aponta que Sguros pagou impostos e contas de consumo da residência utilizando o nome de West. Ele também teria consultado bancos de dados policiais para obter informações pessoais do falecido.
Um dos documentos investigados é um pedido de alvará de construção protocolado em agosto de 2024 para a substituição de janelas e portas. O processo continha dados e uma assinatura atribuídos a West, apesar de ele já estar morto há mais de dois anos. A tabeliã, cujo nome constava nos documentos, teria declarado que não reconhecia o trâmite nem a assinatura.
Em fevereiro de 2025, Sguros também apresentou documentação ao órgão de avaliação de propriedades do condado de Broward, declarando que ocupava o imóvel desde agosto de 2022. As autoridades investigam se esses procedimentos faziam parte de uma tentativa de reivindicar direitos sobre a propriedade.
A disputa ficou mais evidente em 2025, quando uma empresa imobiliária adquiriu direitos sobre o imóvel por meio dos herdeiros de West e descobriu que Sguros vivia no local. O agente acabou entregando as chaves, mas, em fevereiro de 2026, abriu um processo civil para tentar reaver o dinheiro que alegava ter gasto nas reformas.
O policial foi preso e suspenso sem remuneração
Sguros foi preso em 20 de outubro de 2026. Ele enfrenta cinco acusações relacionadas a supostas irregularidades no exercício de suas funções, uso da identidade de uma pessoa falecida e acesso não autorizado a sistemas de informática.
Após comparecer perante um juiz, foi estipulada uma fiança de 25 mil dólares, além de uma ordem para se manter afastado da residência e não manter contato com a família relacionada ao caso. O Departamento de Polícia de Lauderhill o suspendeu sem remuneração.
O caso terá de determinar se Sguros utilizou sua posição como policial e os dados pessoais de West para tentar reivindicar direitos sobre o imóvel. Por ora, o agente enfrenta as acusações e a investigação continua.
Matéria traduzida de Xataka*
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