A Muralha Chinesa de Huesca tem 840 metros; há 969 anos, um senhor da guerra construiu seu castelo nela

Uma fortaleza de 840 metros que chegou a se tornar um dos melhores esconderijos da guerra entre muçulmanos e cristãos

A Muralha Chinesa de Huesca tem 840 metros. Há 969 anos, um senhor da guerra construiu seu castelo nela.
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Fabrício Mainenti

Redator

A Grande Muralha da China é uma daquelas construções que sempre serão difíceis de acreditar. A simples ideia de um exército de trabalhadores moldando milhares de quilômetros de pedra ao longo de séculos de trabalho é, se pararmos um pouco para pensar, algo simplesmente impressionante. Mas, se isso já parece incrível, a "Muralha da China" de Huesca é ainda mais.

Isso porque, aqui, não houve arquitetos milenares por trás da construção, mas sim a própria natureza que, há milhões de anos, decidiu modificar a Serra do Montsec, erguendo uma formação rochosa de 840 metros de extensão — única no mundo. São duas enormes paredes de pedra, com até 20 metros de altura, que, sob o nome de Roques de la Vila, tornaram-se a fortaleza de um senhor medieval.

O Pré-Pireneu aragonês tem a sua própria "Muralha da China"

Elevadas pelos movimentos das placas tectônicas durante o período Cretáceo — compostas por duas camadas de rocha calcária —, essas formações foram moldadas pela erosão da água e do vento, adquirindo uma curiosa verticalidade. Com um corredor no meio, o local tornou-se o refúgio perfeito para proteger as terras durante o século XI, uma época em que forças cristãs e muçulmanas disputavam a região.

Aproveitando o ponto mais elevado, Arnau Mir de Tost construiu ali um castelo. Sabe-se que a estrutura existe, pelo menos, desde 1068, data em que documentos medievais registram a doação da fortaleza a uma abadia próxima. O local permaneceu ali por séculos, até que a região perdeu sua importância e a instalação militar deu lugar às ruínas que podem ser visitadas hoje.

O mesmo destino teve o povoado de Finestras, que também acabou sendo devorado pelo tempo. A perda populacional e a posterior construção de uma represa deram origem a um conjunto de ruínas que compõem a paisagem de Roques de la Vila — sem dúvida, um dos cenários mais espetaculares de toda a região de Aragão.

Não deixa de ser curioso que, com o passar dos anos, a única coisa que permaneça lá seja a Muralha da China de Huesca, apesar de estar de pé desde o Cretáceo.

Texto traduzido e adaptado do portal 3D Juegos

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