De acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores americanos, a geleira Thwaites, na Antártica Ocidental, pode representar um problema maior do que se imaginava. Os resultados indicam que ela poderá contribuir para elevar o nível médio global do mar em até duas vezes mais neste século em comparação com estimativas anteriores.
Geleira do "Apocalipse" pode elevar o nível do mar
A geleira Thwaites é uma enorme massa de gelo com aproximadamente o tamanho das Ilhas Britânicas e da Flórida juntas. Ela é conhecida como Geleira do Juízo Final porque seu colapso completo poderia elevar o nível do mar em cerca de 65 centímetros e desencadear uma reação em cadeia que levaria ao derretimento de outras áreas de gelo, com uma elevação de até 3 metros no longo prazo.
Prever a velocidade desse processo, porém, é difícil, já que ele depende de diferentes fatores. Segundo a NASA, modelos anteriores não consideravam adequadamente as mudanças nas zonas de transição das geleiras, o que pode ter levado a estimativas menos precisas.
Foto: Alexandra Mazur/University of Gothenburg
O que o novo estudo descobriu sobre a geleira?
Grande parte da massa de gelo da Thwaites está apoiada em terra firme. À medida que avança em direção ao mar, porém, ela deixa o solo e passa a flutuar sobre a água. Pesquisas anteriores consideravam que havia um limite bem definido entre essas duas partes.
O novo modelo identificou zonas de transição com entre 2 e 5 quilômetros de largura. Nessas áreas, a água do mar pode penetrar sob o gelo que ainda está apoiado no solo, acelerando o derretimento. Além disso, as marés podem levantar o gelo e tornar toda a geleira mais instável.
Crista natural ajuda a conter o avanço do gelo
Atualmente, uma elevação natural no fundo do mar, conhecida como Crista de Mouginot, impede parcialmente que a geleira avance em direção ao oceano. No entanto, a entrada de água do mar nas zonas de transição está enfraquecendo a ligação entre o gelo e essa formação.
Com isso, a geleira pode perder gradualmente esse ponto de apoio e recuar mais rapidamente. Os cientistas acreditam que esse recuo pode ser irreversível, mas ainda é difícil determinar a velocidade do processo.
Alguns modelos preveem que a Thwaites poderá desaparecer completamente até o século XXIII. Apesar disso, a redução das emissões de dióxido de carbono pode ajudar a desacelerar o derretimento.
Imagem de capa gerada por inteligência artificial.
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