Homem tinha insônia e já tinha tentado de tudo, mas nada melhorava até encontrar vídeo de arquiteto sobre 8 erros imperceptíveis no quarto que prejudicam o sono

Arquiteto aponta como orientação solar, calor acumulado, iluminação e ventilação inadequadas podem interferir na qualidade do sono e explica o que pode ser feito para melhorar o ambiente

Imagem mostra homem com insônia em seu quarto durante a madrugada.
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

Dormir bem também tem a ver com a temperatura, a ventilação, a iluminação e até a posição do quarto em relação ao sol podem interferir na qualidade do sono.  

Um arquiteto reuniu em um vídeo oito erros no projeto e na organização do quarto que podem prejudicar o sono.  A explicação chama a atenção para detalhes que passam despercebidos durante a construção ou a decoração de uma casa. 

Um quarto bonito e aparentemente confortável pode acumular calor, ter pouca circulação de ar ou receber luz demais durante a noite, condições que atrapalham o descanso.

1. Quarto voltado para a fachada oeste acumula calor no fim da tarde

A orientação solar é uma decisão que pode afetar o conforto térmico de um dormitório durante anos. Quartos voltados para o oeste recebem o sol da tarde, quando paredes, pisos e outros elementos da construção já acumularam calor ao longo do dia.

O calor absorvido pela fachada e pelos materiais do quarto não desaparece assim que o sol se põe. Parte dele é liberada gradualmente, mantendo o ambiente aquecido durante a noite. Isso pode dificultar o processo de resfriamento do corpo necessário para adormecer.

Por esse motivo, o arquiteto recomenda considerar a orientação do dormitório ainda na fase de projeto. Uma alternativa é posicionar banheiro, closet ou área de serviço na fachada oeste, usando esses ambientes como uma espécie de barreira entre o sol da tarde e o quarto. 

Em imóveis já construídos, o efeito da orientação pode ser reduzido com soluções de sombreamento e melhorias no desempenho térmico.

2. Cortinas blackout não são suficientes para bloquear o calor

As cortinas blackout são úteis para impedir que a luz entre no quarto, mas não necessariamente resolvem o problema do calor.  Quando a luz do sol passa pelo vidro e atinge uma cortina instalada no interior do cômodo, parte da energia é absorvida pelo tecido e transformada em calor. 

A cortina ajuda a escurecer o ambiente, mas parte da energia térmica já entrou no quarto.

Cortina blackout

Para reduzir o aquecimento de forma mais eficiente, a estratégia é bloquear a radiação antes que ela atravesse o vidro. Beirais, brises, venezianas externas, varandas e árvores posicionadas adequadamente podem diminuir a incidência direta do sol sobre a janela.

A recomendação é não confundir duas funções diferentes: o blackout ajuda a controlar a luminosidade, enquanto o sombreamento externo costuma ser mais eficaz para evitar o ganho de calor solar. 

3. Telhado sem isolamento térmico pode manter o quarto quente à noite

Em casas térreas e apartamentos no último andar, a cobertura pode ser uma das principais fontes de calor. Telhas e lajes expostas ao sol aquecem durante o dia e transferem parte dessa energia para o interior da construção.

Um experimento apresentado no Encontro Nacional de Conforto no Ambiente Construído (ENCAC), realizado pelos pesquisadores Caren Michels e Saulo Güths, comparou o comportamento térmico de uma cobertura verde com o de uma telha de fibrocimento. No dia mais quente do período analisado, a superfície da telha de fibrocimento chegou a 61,7°C, enquanto a cobertura verde testada registrou 30,8°C. Os resultados mostram a diferença que o tipo de cobertura pode produzir na temperatura superficial. 

Outro trabalho, apresentado no Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (ENTAC), analisou telhas de fibrocimento com e sem tinta reflexiva. Às 12h43, a cobertura sem o tratamento atingiu 62,1°C, contra 52,9°C na telha com tinta reflexiva — uma diferença de 9,2 °C nas condições do experimento. 

O isolamento térmico e as barreiras radiantes também podem reduzir a transferência de calor para o interior. Um estudo apresentado no ENCAC em 2023 avaliou diferentes configurações de barreiras radiantes e encontrou reduções de 30% a 55% no fluxo de calor nos cenários analisados. O desempenho, contudo, depende do material e das condições de instalação; nem todo produto vendido como manta térmica tem as mesmas características.

4. Quarto com apenas uma abertura dificulta a ventilação

Abrir uma janela nem sempre é suficiente para renovar o ar e retirar o calor acumulado no quarto. Para que a ventilação natural funcione melhor, o ar precisa ter por onde entrar e por onde sair.

A ventilação cruzada acontece quando o ar atravessa o ambiente entre aberturas posicionadas em lados diferentes. ssa circulação ajuda a retirar o ar quente e permite que o ambiente perca parte do calor acumulado durante o dia.

Essa estratégia é útil principalmente à noite, quando a temperatura externa está mais baixa do que a interna. O processo, conhecido como resfriamento noturno, pode ajudar a reduzir o calor armazenado na construção antes do dia seguinte. Se o quarto tem apenas uma abertura, essa troca de ar pode ser mais limitada.

5. Cortinas que deixam a luz passar podem antecipar o despertar

A escuridão é um fator importante para a organização do ciclo de sono e vigília. A luz recebida à noite pode interferir na liberação de melatonina, hormônio envolvido na preparação do organismo para dormir.

Um estudo publicado em 2011 no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, conduzido por pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital, avaliou a exposição à luz ambiente antes de dormir. Os resultados mostraram que a iluminação do ambiente pode atrasar o início da produção de melatonina e reduzir o período em que o hormônio permanece elevado. 

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Outra pesquisa, publicada em 2019 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), identificou diferenças consideráveis entre as pessoas na sensibilidade à luz noturna. 

Ou seja, cortinas comuns podem deixar entrar luz de postes, fachadas e do sol nas primeiras horas da manhã. Enquanto isso, uma cortina blackout pode falhar quando há frestas nas laterais ou na parte superior. 

O ideal é escolher uma solução que escureça adequadamente o quarto, com tecido opaco e instalação que reduza a entrada de luz pelas bordas.

6. Luz branca fria e uso da cama para trabalhar podem atrapalhar o descanso

Lâmpadas de tonalidade fria, com maior componente de luz azul, podem interferir na resposta biológica à iluminação noturna. Por isso, luzes mais quentes e reguláveis são uma opção para criar um ambiente menos estimulante antes de dormir.

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Durante a madrugada, acender uma luz branca e intensa para ir ao banheiro pode aumentar a exposição à luminosidade enquanto o organismo está adaptado ao escuro. Uma luminária indireta e de baixa intensidade pode ajudar a reduzir esse estímulo.

Outro ponto abordado pelo arquiteto é transformar o quarto em um espaço para muitas atividades. Trabalhar, estudar, comer e assistir a séries na cama pode enfraquecer a associação mental entre o local e o sono.

7. Manter o quarto fechado a noite toda pode piorar a qualidade do ar

Fechar as janelas pode ser necessário para evitar ruídos, calor ou entrada de poluição, mas a falta de renovação pode se tornar um problema. Em um quarto ocupado durante várias horas, a concentração de dióxido de carbono (CO₂) pode aumentar quando a ventilação é insuficiente.

Um estudo publicado em 2016 na revista científica Indoor Air, de autoria de Strøm-Tejsen e colaboradores, comparou a qualidade do ar em dormitórios com a janela aberta e fechada. Na condição com a janela fechada, a concentração de CO₂ chegou a 2.585 partes por milhão (ppm); com a janela aberta, ficou em 660 ppm. Os pesquisadores também observaram melhorias em medidas relacionadas à qualidade do sono e ao desempenho no dia seguinte, quando a ventilação era maior. 

8. Colchão e roupa de cama que retêm calor podem aumentar o desconforto

A escolha dos materiais usados para dormir também interfere na sensação térmica. Alguns colchões, especialmente os de espuma viscoelástica, podem reter mais calor na região em que o corpo fica apoiado. Já estruturas com maior circulação de ar, como algumas opções de molas e látex, podem oferecer uma sensação mais fresca, dependendo da composição e do modelo.

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A roupa de cama também faz diferença. Tecidos como algodão e linho costumam favorecer a troca de calor e umidade em comparação com algumas opções sintéticas, embora o resultado dependa da trama, da espessura e das condições de uso.

Em ambientes quentes, vale observar se o colchão, o protetor e os lençóis deixam o corpo excessivamente aquecido durante a noite. Trocar tecidos muito abafados por materiais mais respiráveis pode ser uma mudança simples, sem necessidade de substituir imediatamente o colchão.

Imagem de capa gerada por inteligência artificial.

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