A Austrália estava muito otimista em relação às terras raras de Jaén, mas ainda tem vários obstáculos pela frente

  • O projeto Orion quantifica seu potencial, mas ainda restam obstáculos;

  • Mesmo superados os pontos críticos, a rentabilidade do macroprojeto é questionável

A Austrália estava muito otimista em relação às terras raras de Jaén, mas ainda tem vários obstáculos pela frente
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Fabrício Mainenti

Redator

A busca, cada vez mais intensa, por terras raras e minerais críticos para a indústria tecnológica levou uma empresa australiana ao distrito mineiro de Linares-La Carolina, em Jaén. O plano era investigar uma área de cerca de 86 quilômetros quadrados em busca de minerais — como zircônio, háfnio e outras terras raras — que impulsionam tecnologias como baterias, veículos elétricos e a transição energética.

Contudo, a dependência de países como a China e a escassez desses materiais transformaram esse crescimento em um gargalo. Um ano após seus planos de pesquisa terem esbarrado em restrições devido ao risco de incêndios na Andaluzia, o projeto Orión deu um passo importante: a empresa apresentou uma primeira estimativa dos recursos minerais que a região poderia conter, além de um estudo preliminar sobre sua possível exploração.

Os cálculos da empresa apontam para cerca de 60 milhões de toneladas de matérias-primas críticas, incluindo terras raras, titânio, zircônio e háfnio. O projeto abrange uma superfície de aproximadamente 232 quilômetros quadrados; no entanto, esse número refere-se à área total sob investigação, e não a uma jazida confirmada em toda a sua extensão.

A estimativa de recursos baseia-se em trabalhos realizados até o momento em uma pequena parte desse território, o que significa que ainda há muito a ser pesquisado antes de se conhecer o potencial real da iniciativa.

Até agora, o norte de Jaén não conta com a exploração desse tipo de mineral em escala industrial. Contudo, o projeto Orión já apresenta uma dimensão econômica mais concreta: a Osmond Resources estima que uma eventual implementação exigiria um investimento inicial de cerca de 270 milhões de euros (aproximadamente R$ 1,5 bilhão) e poderia gerar aproximadamente 460 empregos diretos e 1.500 indiretos.

Vale ressaltar, porém, que se trata de previsões da própria empresa — não de compromissos de investimento ou vagas de emprego garantidas —, e que a viabilidade da futura mina depende da confirmação por meio dos estudos que ainda faltam ser concluídos.

O risco de incêndio em relação às minas de Jaén

O avanço do projeto permitiu a transição da fase inicial de prospecção mineral para um cenário preliminar de como poderia funcionar uma futura operação de mineração. A Osmond estuda uma mina subterrânea e uma planta de processamento modular, capaz de tratar cerca de dois milhões de toneladas por ano.

Em um horizonte de 20 anos, o cenário proposto equivaleria a cerca de 40 milhões de toneladas processadas; contudo, a empresa ainda precisa realizar mais estudos para determinar a viabilidade do empreendimento.

A companhia já obteve uma Autorização Ambiental Unificada favorável para a licença de pesquisa do projeto Orión e recebeu uma concessão provisória de 250.000 euros do governo (cerca de R$ 1,4 milhão) para dar continuidade à exploração dos recursos minerais.

Esses avanços não significam que a mina tenha autorização para iniciar suas operações: ainda restam estudos técnicos, econômicos e ambientais a serem concluídos, além dos trâmites necessários para o desenvolvimento de uma operação de mineração.

O problema é que, mesmo superada essa etapa fundamental, as atividades nessas áreas envolvem o uso de materiais e maquinários inflamáveis. Somados aos resíduos — como pneus, óleos e outros elementos típicos desse tipo de trabalho —, esses fatores criam o risco de alimentar incêndios quando o calor retornar no próximo verão.

Em outras palavras, a empresa australiana Osmond Resources terá de aderir aos planos de autoproteção da região para evitar possíveis acidentes. Na prática, isso implica uma série de medidas — como a instalação de extintores, a adoção de protocolos de parada de emergência, a criação de aceiros (barreiras contra o fogo), vigilância rigorosa, entre outras — que podem comprometer a exploração mineral, ao afetar diretamente a sua rentabilidade.

A justificativa do projeto

Um dos grandes atrativos do empreendimento é a possibilidade de reduzir a dependência europeia em relação a matérias-primas estratégicas provenientes do exterior. A indústria necessita desses materiais para diversas aplicações tecnológicas e industriais, ao passo que grande parte das cadeias de suprimentos globais encontra-se concentrada em um número reduzido de países. 

Nesse contexto, a Orión aspira a tornar-se uma fonte adicional de terras raras, titânio, zircônio e háfnio para o mercado europeu.

No entanto, os números apresentados pela Osmond Resources descrevem, por ora, apenas um cenário preliminar. Os cerca de 60 milhões de toneladas identificados também não equivalem a reservas que possam ser extraídas de forma rentável.

As próximas sondagens e os estudos técnicos, econômicos e ambientais determinarão se o projeto consegue superar a distância entre o potencial geológico de Jaén e uma exploração mineral real.

Imagem de capa | Jaén Hoy

Texto traduzido e adaptado do portal 3D Juegos

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