Uma simples foto do rosto pode dar pistas sobre a sobrevivência de um paciente com câncer; esta IA busca encontrá-las

Os oncologistas precisam saber qual tratamento oferecer aos seus pacientes, e uma IA pode dar uma mãozinha

Uma simples foto do rosto pode dar pistas sobre a sobrevivência de um paciente com câncer. Esta IA busca encontrá-las.
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Fabrício Mainenti

Redator

Quando uma pessoa é diagnosticada com câncer, é importante iniciar o tratamento o mais rápido possível. No entanto, o desafio que os oncologistas enfrentam é determinar o melhor tratamento a ser prescrito; embora se possa pensar que recorrer aos medicamentos mais agressivos seja sempre a melhor opção, na realidade, isso pode ser fatal para o paciente.

O estado geral do paciente é um dos fatores mais críticos no momento em que a equipe decide o tipo de tratamento, visto que a situação de uma pessoa idosa e fragilizada é muito diferente da de um jovem em boa forma física. Anteriormente, essa avaliação dependia do "olhar clínico" do especialista, mas, atualmente, está sendo desenvolvida uma IA capaz de analisar o rosto humano com uma precisão surpreendente para traçar um perfil.

Esse sistema foi batizado de FAHR-Face e tem como objetivo prever o risco de mortalidade e estimar a idade biológica de pacientes com câncer, utilizando apenas fotografias faciais.

O processo

Para que uma máquina compreenda os efeitos da doença no rosto humano, os cientistas não partiram do zero. O modelo base foi treinado com mais de 40 milhões de fotografias de rostos; em seguida, a IA foi ajustada por meio de um treinamento com 34.363 fotografias de pacientes oncológicos, resultando em dois modelos distintos:

  • FAHR-FaceAge: Projetado para calcular a idade biológica (a idade real do corpo, independentemente da data de nascimento).
  • FAHR-FaceSurvival: Treinado especificamente para prever o risco geral de mortalidade.

A validação

Para confirmar que o sistema realmente funcionava — e não estava apenas memorizando os dados do hospital de origem —, o modelo passou por uma validação independente em um grupo diferente, composto por cerca de 5.000 pacientes. Além disso, os pesquisadores garantiram que a IA fosse robusta e não se deixasse enganar por variáveis ​​como maquiagem, iluminação, pose ou até mesmo cirurgias estéticas realizadas.

Como ela faz isso?

Segundo a pesquisa, para estimar a idade biológica, a inteligência artificial concentra sua "atenção" nos sulcos nasolabiais, na testa e nas têmporas. No entanto, quando se trata de prever a sobrevida, o algoritmo examina a região abaixo dos olhos e a ponte nasal.

Isso funciona muito bem: os pacientes classificados pela IA no quartil de maior risco apresentaram um risco de mortalidade 3,23 vezes superior ao do quartil de menor risco. Em números absolutos, dos 122 pacientes classificados como de alto risco, 52,5% faleceram em um prazo de 90 dias — o que demonstra que a estimativa se aproximava bastante da realidade.

É um recurso de apoio

Embora estejamos falando de números expressivos, os especialistas recomendam cautela, já que o sistema não diagnostica o câncer nem estabelece uma "data de validade" exata para os pacientes. Trata-se de estimativas puramente estatísticas aplicadas a pessoas que já possuem um diagnóstico oncológico.

A verdade é que a tecnologia ainda precisa superar limitações importantes. Os dados atuais provêm de estudos retrospectivos baseados em coortes majoritariamente compostas por pessoas brancas; por isso, é necessário continuar o treinamento do modelo para evitar que ele discrimine com base na cor da pele.

Além disso, faltam dados detalhados sobre a toxicidade específica dos tratamentos e — o mais importante — ainda não foi demonstrado, por meio de ensaios clínicos prospectivos, que o uso dessa IA melhore as decisões médicas ou prolongue a sobrevida real dos pacientes.

Imagem de capa | cottonbro studio

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha

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